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"...porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."Josué 24:15

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Breve história

Olá! Eu sou Alyne! Nasci no dia 14 de novembro de 1988 em Lavras-MG. Sou a caçula de 3 irmãos, meu irmão Samuel é 6 anos mais velho que eu, e minha irmã Simone 3 anos mais velha.
Meu pai era metalurgico, e minha mãe costureira, mas já fez outras coisas, como cozinhar para um Buffet, artezanato, vendas, e já ficou um tempo em casa cuidando de nós. Me inspirei nela, que sempre foi uma super mãe, então desde bem pequena queria ser mãe também. Cresci rodeada pela família, incluindo minha querida avó materna, que morava com a gente, animais de estimação- tive até galinha, árvores no quintal e livros. Sempre amei ler e comecei a escrever poesias e contos assim que aprendi a passar as ideia para o papel, com uns 7 ou 8 anos.
Morei na mesma casa e estudei na mesma escola quase a vida toda. Sempre achei isso meio tedioso. Sempre gostei muito de aventura, mas o máximo que fazia era fazer um piquenique sem dizer à minha mãe, e acampar de barraca nas férias.
Quando fiz 11 anos minha avó faleceu. Foi terrivel, pois ela era muito importante para todos nós. Para me distrair um pouco, minha mãe permitiu que eu e minha irmã fossemos passar as férias de dezembro em Sete Lagoas, na casa de um tio. Foi um mês marcante: Cortei o cabelo curto (antes era tipo Sandy), me converti e decidi mudar de Igreja- eu era católica e me tronei protestante, e também decidi que queria ter uma família grande como a do meu tio- ele tinha 8 filhos. Ok, não tão grande. Eu estava entrando na adolescencia, então era muita mudança de uma vez só, bem na virada de milênio: assisti a um show de fogos, pela primeira vez, na Pampulha, na virada de 1999-2000.
Comecei a frequentar a Igreja Presbiteriana, e lá conheci meu marido. Claro que nem imaginei que ele seria meu marido, eu tinha só 11 anos e ele é 7 anos mais velho! Mas nos tornamos amigos, e foi assim por alguns anos. Quando eu tinha 14 anos ele me pediu em namoro e contou que iria fazer um curso de Missões, por isso ficaria fora por 5 meses (isso não faz muito sentido né?). Começamos a namorar em abril e ele foi para o Paraná em julho. O namoro a distância funcionou bem, embora a internet fosse bem restrita e ele tivesse que me ligar de um telefone público. Em dezembro ele se formaria, e fui com os pais dele buscá-lo. Foi a primeira vez que saí de Minas, aos 15 anos.
Quando voltamos continuei estudando- agora já em outro colégio, pois estava no Ensino Médio, e o ajudei com alguns trabalhos missionários. Quando estava no segundo ano do ensino médio, planejando a faculdade e como seria nossa vida -já pensávamos em casamento tão logo quanto fosse possível (na época Renato já trabalhava na ferrovia) nós ficamos grávidos! Foi uma situação tensa, díficil e ao mesmo tempo incrível. Não era o ideal, e eu estava longe de estar pronta pra começar uma família, mas assumimos os riscos, a responsabilidade, e embarcamos na maior aventura de todas. Descobrimos a gravidez em agosto e nos casamos em outubro.
Ana Júlia nasceu dia 14 de abril de 2005. Linda e querida por toda a familia- era a primeira neta dos 4 avós. Moramos no mesmo quintal dos meus pais até conseguirmos finaciar nossa propria casa, para onde nos mudamos em março de 2007. Pouco tempo depois, eu engravidei de novo. Isso não era exatamente o plano, pois a Ana Júlia tinha só um ano. Quando estava com 13 semana de gestação, tive várias complicaçoes de quase perdemos nosso bebê. Mas, graças a Deus ela ficou bem. Renata nasceu dia 14 de janeiro de 2008, e não o dia 14 não foi proposital. Alias a Renata nasceu de 35 semanas, graças aos problemas que tivemos durante a gestação, mas era forte e igualmente linda.
Tentei voltar a estudar quando a Renata tinha 1 ano, mas não deu muito certo. Tinha crises alergicas terriveis e enquanto me recuperava de uma delas pra tentar voltar pra escola, adivinha? Bem, dessa vez decidi parar de tomar anticoncepcional e disse ao Renato que talvez devessemos ter mais um bebê. Então o plano de estudar ficou adiado, e no dia 3 de julho de 2010 a Rafaela chegou pra completar o trio mais fofo do mundo! Temos uma família linda e abençoada, mesmo que claro, tenhamos pasado, e ainda passamos por vários problemas, de todo tipo e tamanho. Não é nada fácil, mas lutamos para que elas crescem felizes.
Até 2014, quando a Rafa foi para a escola, eu era dona de casa. Neste ano, comecei a trabalhar e fiz o ENEM e, em 2015 comecei a faculdade, fiz um periodo de Pedagogia, mas mudei para o curso dos meus sonhos: Letras.
Agora sou mãe, estudante, esposa, dona de casa e blogueira. Mas não sou a Universal huahauha, ainda sou protestante. E vejo a mão poderosa e graciosa de Deus em tudo o que tenho, o que sou e o que faço. Ainda tenho muito sonhos e planos a realizar, mas sei bem que tenho muito mais do que mereço. E sou feliz por tudo isso.


"Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas."
Provérbios 3:6 


terça-feira, 29 de agosto de 2023

O que é empatia, afinal?

Começo dizendo que eu não sei dizer o motivo, mas, desde que me entendo por gente, só consigo me organizar internamente, me expressar com efetividade, e até entender certas coisas, escrevendo. 

Escrevo para viver, eu diria, apesar de não ser minha fonte de renda. Não tem nada a ver com ganho monetário, nada disso. Apenas sinto essa necessidade há muito tempo. Por isso, insisto neste Blog. Por que, apesar de perceber quão parcamente as pessoas geralmente leem, eu sinto que aqui ainda faz sentido escrever. Aqui ainda tem alguém aqui que, de algum forma, compartilha de minhas ideias. 

Bem, fora daqui também tem...E hoje, preciso falar sobre algo que aconteceu e uma lição valiosa que aprendi. Há algumas semanas, perdemos nossa cadelinha amada, Pipoca. Aqui no blog tem alguns posts que contam a saga que vivemos, da época em que eu dizia que nunca teria um cachorro, até a Pipoca entrar para a família, para sempre.

Quando a perdi, uma amiga especial ouviu meu choro (foi pelo Whatsapp, mas quem disse que não podemos ter conversas realmente profundas e preciosas ali?). Essa amiga me tratou com tanto carinho e respeito pela minha dor, que fiquei imaginando que gostaria de ser assim também. Você sabe, parece que nossa tendência é sempre diminuir a dor dos outros. Empatia é artigo de luxo. Mas, não foi o que ela fez, mesmo que isso pudesse parecer óbvio: Ela perdeu sua mãe ainda na infância. O pai está muito doente e, há poucos anos, ela passou por um divórcio extremamente díficil, que ainda impõe a ela e aos filhos tremendos desafios. O que é, diante de tudo isso, a perda de um cachorro? Pois é. Até eu pensaria assim, mas não foi isso que ela fez. Ela ouviu, acolheu, entendeu. Me fez uma sugestão ótima: fazer um Scrapbook em memória de nossa Pipoca, e ainda me ofereceu ajuda para isso. Incrível né? Me deu uma aula de empatia, que valeu por anos de faculdade.

Por falar em faculdade, sempre que penso na palavra EMPATIA me lembro de um professor querido, que tinha uma terrível implicância com essa palavra. Ele dizia mais ou menos assim: "Não temos que nos colocar no lugar do outro. O lugar do outro é do outro, e tem que ser respeitado." 

Acostumada com a definição rasa de empatia, que é exatamente "se colocar no lugar do outro" eu demorei um tempinho para entender onde ele queria chegar com esse pensamento. Mas, hoje faz muito mais sentido. A dor do outro é dele. Cada indíviduo sente, sofre e administra suas dores à sua maneira, e não nos cabe invadir esse lugar. Não nos cabe querer sentir o que ele está sentindo: é impossível! Mesmo quando pensamos "já passei exatamente pela mesma coisa", estamos nos enganando. Cada situação é única porque CADA PESSOA É ÚNICA. Não existe dor igual, e tentar entender é bobagem. Nos cabe validar (essa palavra tá na moda agora, mas não encontrei outra mais sofisticada) as dores e sentimentos do outro, sem querer se apropriar disso. 

Enfim, para ser empático não precisa tomar o lugar do outro, como bem disse meu professor. Apenas ACEITAR  o sofrimento alheio, sem diminuir ou julgar se está certo ou errado, se ele está sofrendo demais ou de menos, se seu modo de lidar é adequado ou não. Eu estou aprendendo, e, graças à uma amiga empática, posso, agora, dizer que sou grata por ter passado por um momento ruim: afinal, é ali que nasce o irmão: 

"O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão".

Pv 17:17



sexta-feira, 23 de junho de 2023

Seguidores

     Eu me lembro de, quando adolescente, ao ler um livro, procurar sempre pela biografia do autor. Queria saber quantos livros ele havia publicado. Também lembro de ouvir apresentadores na TV falando sobre aquele convidado especial: em quantas novelas havia atuado, ou quantas músicas compôs, quantas cópias aquele CD havia vendido. E tinha prêmios: disco de ouro, de platina, diamante. 

    Hoje eu quase não vejo TV e há muito tempo não vejo uma premiação dessas. Talvez porque, agora, aprendemos a contar seguidores. Mais do que qualquer coisa, hoje em dia parece que o valor de uma pessoa está diretamente ligado ao seu número de seguidores. Não precisa escrever muitos livros, compor muitas músicas, nem ter muito talento, mas se tiver uma quantidade realmente significativa de seguidores, se prepare para entrar no rol das pessoas reconhecidas e ricas deste Brazil

Mas hoje não quero falar de redes sociais. Vamos conversar sobre algo mais complicado, mais profundo e principalmente, mais real: a vida. Na vida temos seguidores também. Eu tenho três. Para alguns, pode parecer pouco, mas numa época em que muita gente escolhe ter um ou dois, três já é demais. Tem gente que prefere ter nenhum, e como o mundo anda bem caótico, eu entendo perfeitamente. Sabe, eu não sou nenhuma juíza, mas eu acredito que talvez seja melhor não ter nenhum do que ter vários seguidores de forma irresponsável. E acontece, algumas vezes, que a pessoa, mesmo sem querer, acaba tendo vários seguidores. Nem sempre é possível planejar. Já vi pessoas muito bem intencionadas, e dotadas de muito bom-senso, planejar um ou dois, que recebem de brinde, quatro.

Bem, o fato é que na vida, não importa tanto o número de seguidores, como em uma rede social. Importa mais aquilo que seus seguidores estão observando. Isso porque eles tem um (super) poder de nos avaliar e revelar nosso melhor e o nosso pior. Se algumas vezes nos enchem de orgulho repetindo o que ensinamos com intencionalidade, outras vezes (e, talvez, muitas vezes) quase nos matam de vergonha mostrando tudo que há de mais asqueroso em nosso caráter. 

Temos uma tendência boba de sofrer muito quando passamos vergonha em público. Nos preocupamos muito com o que os outros vão pensar. Mas, se formos mais honestos, ficaremos envergonhados mesmo quando ninguém está observando e você perceber que aquela frase, aquele olhar ou aquela atitude de seu seguidor, só pode ter vindo de um lugar. Ou melhor, de uma pessoa: você mesmo, e não adianta mentir. 

    Muito mais fiéis do que um espelho, nossos seguidores, se passarem tempo suficiente conosco, irão copiar manias, o jeito de andar, falar e de levar a vida. A questão é: você está pronto? Se sente digno de ser copiado? Terá prazer em conviver, por muitos anos, com uma, como dizem, versão “mini e atualizada” de si mesmo?

Eu amo observar crianças. Como elas são incríveis na arte de copiar! Quando eu conheço a família, percebo claramente de onde vem a simpatia, o carinho, até o jeitinho de falar e sorrir. E também vejo que, antes de cair o primeiro dentinho ou de aprender a escrever o próprio nome, uma criança já sabe ser malvada, ofensiva, preconceituosa, ousada, rebelde, ansiosa, mentirosa, sensualizada, manipuladora.

Uma vez, uma professora que lecionava para duas de minhas três “seguidoras” me disse: a fruta não cai longe do pé. Era um elogio, graças a Deus. Eu não lembro exatamente sobre o que ela falava, mas fiquei tão feliz, pois educar foi meu trabalho de tempo integral durante vários anos. É claro que ela não sabia sobre meus estridentes gritos- um hábito terrível que, adivinha só? Herdei de minha mãe e que ecoavam em minhas três seguidoras. Sobre esses, só meus vizinhos próximos sabiam. Mas, eu me ressinto diariamente de minha própria falha, e sofro com ela mais do que qualquer outra pessoa. No fim, a parte podre da fruta é a que queremos esconder, mas, em um momento ou outro vem à tona. O fruto não cai mesmo longe do pé...Esse ditado me lembra de uma conhecida fala de Cristo: Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.” Lucas 6:43.

Seus seguidores são os frutos mais importantes que você deixará nessa terra. Na verdade, são a única obra que você poderá levar para eternidade. Naquele glorioso dia, o Criador e Redentor da vida não irá perguntar onde está a casa que você construiu, o carro que comprou, nem mesmo os amigos que ajudou. Sim, ter seguidores é uma honra, mas também uma enorme responsabilidade. Que sejamos capazes de, diante Dele, dizer: Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor”. Isaías 8:18






segunda-feira, 22 de junho de 2020

Filho, o que você quer aprender hoje? _A Educação em Casa e o martelo do Thor

Decidi compartilhar aqui uma história que me inspirou muito.
Antes, devo fazer umas observações (lembrando sempre, não sou especialista em NADA):
Em 2015 eu comecei a segunda mais interessante jornada da minha vida (depois de casamento+ maternidade que ficam juntos): a faculdade.

Que coisa incrível é aprender! Eu sou fascinada pela capacidade que temos de aprender qualquer coisa e tenho convicção de que somos capazes de fazer muito mais do que imaginamos com nosso cérebro. Enfim. Fiz um semestre de Pedagogia e depois embarquei de vez na faculdade com a qual sonhei minha vida toda: Letras.

Como meu curso é uma Licenciatura, uma das coisas que aprendi foi a defender a educação e defender a escola. Outra coisa que aprendi foi criticar a educação e criticar a escola (parece contraditório mas criticar aqui significa refletir sobre os modelos tradicionais, avaliar criteriosamente, e especialmente pensar novas e melhores maneiras de se fazer a educação).

Uma teoria que me deixou muito pensativa foi a chamada PBL- Problem Based Leaning, ou em português, aprendizagem baseada em problemas (aqui um vídeo resumindo o que é).
Esse assunto sempre me toca quando penso sobre como o aprendizado poderia ser mais significativo em escolas de todos os níveis.

Durante a pandemia que estamos passando, me deparei com uma postagem no Facebook que me deixou muito feliz por saber que mais pessoas pensam como eu. Recebi autorização do autor para reproduzir o texto aqui e espero, de coração, que esse relato sirva de inspiração para pais, mães e especialmente para escolas, não apenas nesse período de distanciamento social, mas como uma prática cotidiana na rotina escolar.

O que me deixa esperançosa é ver que o post do André encontrou eco, e ele decidiu criar uma página para compartilhar suas experiencias. O link está aqui, não deixe de visitar:  (https://www.facebook.com/educacaocontagiante)

O "método" utilizado pelo André é chamado "Projeto de Pesquisa" (que corresponde ao PBL, creio eu) , por sinal é utilizado na Escola da Ponte, outra "descoberta" fantástica que encontrei pelas minhas leituras sobre educação (dê um Google pra saber mais)  e pra mim é uma tremenda evidência de que sim, isso pode dar (muito) certo. O texto é extenso, mas vale a pena a leitura, eu  garanto.



" A escola do meu filho falou: ele terá aulas virtuais todos os dias durante o período de isolamento.
Eu e minha esposa somos professores, estamos muito cansados, principalmente porque minha esposa está dando aulas virtuais para grupos de 15 a 20 crianças conectadas por microfone e webcam. Enquanto ela passa a tarde pedindo que os alunos desliguem seus microfones, pedindo silêncio para falar, pedindo para os alunos terem paciência para ela repetir o conceito que está ensinando, eu fico do lado de fora com nossos dois filhos pensando que está tudo errado.
Eu não aguentei isso tudo e decidimos fazer um trabalho diferenciado com nossos filhos. Comecei a trabalhar com Projeto de Pesquisa, coisa que aprendi com meu amigo José Pacheco.
- Mas, André, seus filhos tem 5 e 7 anos! Sua filha nem sabe ler e escrever!
Abri uma conta de email para meu filho e para minha filha. Criamos contas familiares com controle parental usando o Google Family Link. Criamos uma sala de aula no Google Classroom (ótima ferramenta para o estudante criar uma portifólio de pesquisa) e nos inserimos como professores e nossos filhos como alunos.
Criei uma primeira atividade chamada PROJETO DE PESQUISA #1. Montei uma ficha de preenchimento.
Dia 22 de abril
Meu filho entrou no google classroom e começou a preencher a ficha...
O que você quer aprender?
R:Como o Thor ganhou o martelo
[Minha esposa olhou para mim desconfiada.
- André, e aí? Isso vai ser útil de que forma? Super-herói da Marvel!!!!
- Calma... Ele precisa partir de algo que desperte o interesse e a curiosidade dele! Não é o que eu quero ensinar. É o que ele quer aprender agora! Ele vai aprender a aprender. Eu não vou ensinar nada.
Meu filho seguiu preenchendo a ficha (eu estava ao lado dele acompanhando o processo)...]
Por que você quer aprender isso?
R:É que eu sempre quis saber
[Fantástico como a criança é simples, direta, e prática.]
O que você vai fazer com esse conhecimento depois?
R:Nada eu só quero aprender mesmo
[Como este primeiro momento é para ele ter contato com o processo, não fiz nenhuma intervenção neste ponto. Ele quer matar a curiosidade. Ok! Ser curioso é muito bom! Minha esposa me olhava desconfiada e eu não tinha a menor idéia de onde isso acabaria, mas como o José Pacheco diz, o papel do professor é gerir a imprevisibilidade.]
Que pessoas podem te ajudar a aprender sobre isso?
Meu tio-avô.
Por que ela pode te ajudar?
ele sabe muito sobre heróis
[Em seguida ele preencheu um cronograma informando o dia da semana, a hora e a atividade que ele faria. Eram duas atividades: ligar para o tio-avô e assistir ao filme Thor.
Ele enviou uma mensagem via whatsapp para o tio-avô perguntando como o Thor ganhou o martelo. Minutos depois recebeu uma resposta dizendo que o pai do Thor, Odin, deu a ele o martelo Mjolnir. Meu filho foi até a ficha de projeto e preencheu lá onde dizia "Anote aqui tudo o que você aprendeu com essa pesquisa."
Mais tarde, fomos assistir ao filme juntos. Para surpresa dele, Thor já aparece com o martelo Mjolnir nas mãos desde a primeira cena. Meu filho percebeu que não conseguiria a resposta que queria. Assistimos ao filme até o final e conforme o filme passava, eu fazia algumas perguntas para ele e ele fazia algumas perguntas para mim. Nós parávamos o filme, ele sentava na frente do computador e anotava a pergunta no espaço "O que você precisa pesquisar ainda?"
Após o filme, as seguintes perguntas estavam lá:]
Como o Mjolnir foi feito?
De qual língua vem o nome Mjolnir?
Qual herói tem relação com radiação gama?
Quem criou o herói Thor?
Quem eram os vikings?
Que ferramenta a S.H.I.E.L.D. usa para analisar o Mjolnir?
Quais são os Nove Reinos?
[Meu filho foi dormir e eu fui trabalhar como tutor dele. Abri o Google Classroom, peguei o trabalho dele e fui indicando alguns sites para ele encontrar as respostas que buscava. Meu filho não sabe usar o google e não entende ainda como funciona a pesquisa online, por isso eu ainda preciso dar essa ajuda.
Dia 23 de Abril
Meu filho abriu o Google Classroom e eu mostrei a ele o que eu tinha escrito no trabalho dele. Lá foi ele atrás do primeiro site. Abriu e começou a ler. Eu estava na cozinha e vi que ele estava lendo o texto inteiro, mas as informações sobre o Mjolnir estavam no primeiro e segundo parágrafo. Falei para ele:
- Filho, não precisa ler todo o texto. Você pode ler a parte que te interessa para responder sobre sua pergunta.
- Mas eu quero ler tudo, pai! Está interessante!
Após a leitura, perguntei:
- E aí, filho, o que você aprendeu com esse texto?
- Aprendi que o Odin lutou contra o Deus Tempestade e prendeu ele em um metal chamado Uru. Depois ele pegou esse Uru, entregou para o anões e pediu para eles fazerem um martelo. Esse martelo se chama Mjonir. Por isso que o Thor tem poder de trovão, porque o Mjolnir tem um deus das tormentas dentro dele.
- Ok, filho, agora você pode anotar isso ali na sua ficha.
Lá foi ele escrever. Depois que terminou, ele me perguntou:
- Pai, quantos Mjolnir existem?
- Por que você está me perguntando isso?
- Por que eu vi naquele texto uma imagem que mostrava vários heróis usando Mjolnir.
- Por que você não anota essa pergunta na sua ficha para pesquisar depois?
- Boa idéia!
Em seguida ele foi para o segundo site, em busca da origem da palavra Mjolnir. Na wikipedia ele descobriu que Mjolnir se escreve de várias formas diferentes e que o nome significa AQUELE QUE ESMAGA. Também descobriu que o Mjolnir tem relação com a mitologia escandinava.
- Filho o que é mitologia?
- São as lendas, as histórias.
- O que é Escandinávia?
- Não sei.
- Por que você não clica ali onde está escrito "mitologia escandinava" e vê o que vai dar?
Ele clicou e descobriu que a Escandinávia não é um país, mas uma região formada por 3 países: Noruega, Suécia e Dinamarca.
- Mas onde fica isso? - perguntei
- Não sei.
- Vamos olhar o mapa na parede do seu quarto?
- Vamos!
Ele se colocou na frente do mapa e procurou os 3 países. Eu mostrei a ele onde ficava a Europa. Ele os encontrou e ficou contente.
- Mas qual é a língua que eles falam nesses países? - ele perguntou
- Escreve aí no google: idioma dinamarca.
- Dinamarquês! Então o outro deve ser norueguês e suecês, sueci... Suec...
- Digita aí: idioma suécia.
- Sueco!
- Então, filho, o que você aprendeu?
- Mjolnir é uma palavra que pode ser escrita de várias formas. Ele tem a ver com a Escandinávia. Cada país escreve de um jeito: um sueco, um norueguês e um din... din... dinamarquês. Ah, descobri que Mjolnir significa AQUELE QUE ESMAGA.
-Ótimo, filho. Anota lá na sua ficha de pesquisa.
Paramos neste ponto. Incrível ver a criança aprendendo no ritmo dela, na profundidade que ela quer, segundo a curiosidade dela. Assim deveriam ser as escolas. De uma pergunta simples sobre um super-herói ele foi parar na origem de palavras de outro idioma, no entendimento de mitologia, a geografia, história e nem sei onde ele vai parar. Quando ele se der por satisfeito com essa pesquisa, irá parar e faremos uma avaliação de tudo o que ele aprendeu. Depois começaremos uma nova pesquisa.
Não me esqueci da minha filha, não. Ela também está vivenciando a mesma coisa, mas do jeito e ritmo dela. Como ela não sabe escrever, eu fui perguntando a ela o que estava na ficha de pesquisa e ela foi respondendo.
O que você quer aprender?
R: Quero aprender a escrever.
Por que você quer aprender isso?
R: Eu acho legal. Quando uma pessoa pedir para eu escrever, eu posso.
O que você vai fazer com esse conhecimento depois?
R: Quero escrever uma mensagem de amor para o meu amigo P.C.
Nada como ter um objetivo concreto para motivar o aprendizado!
Entrei em contato com um especialista em alfabetização, José Pacheco, e ele me deu uma dica para começar a brincar com minha filha. Perguntei a ela em quais objetos da casa ela queria colocar o nome. Fomos escrevendo cada palavra em papel pequeno e ela foi colando pela casa. No dia seguinte, tirei 3 papéis e pedi para ela colocar de volta. Ela olhou para o primeiro papel, olhou para mim e disse:
- Não sei ler, papai.
- Mas você tem o alfabeto colado ali na parede da sala. Vamos lá olhar?
- SIM!!!
Ela identificou a primeira letra, e colocou o dedinho sobre ela. Eu comecei a cantar A, B, C, D, E, F, G...
Quando paramos na letra, ela fez o som da letra. Depois olhou a segunda letra, juntou as duas, correu e colou o papel no lugar certo. Assim ela já acertou 6 palavras.
Educação é algo lindo demais! Infelizmente ainda existem pessoas que acham que o professor não é importante na educação. Pelo contrario! O professor como orientador ou tutor do aluno é importantíssimo, como ficou claro neste relato, mas não é dando aula. O professor precisa instigar a curiosidade! Precisa fomentar o desejo de aprender.
Contudo, as escolas insistem em deixar os professores sozinhos em sala, com mais de 20 alunos, sem livros ou internet. Como mostrar aos alunos do século XXI como se aprende no modo século XXI? O que resta aos professores é dar aula e mais aula...
O resultado está aí. Os adultos batendo cabeça porque não sabem usar tecnologia, os professores achando que precisam CRIAR CONTEÚDO como se fossem youtubers, gastando tempo e energia, pouca eficiência e baixa autonomia dos alunos.
Tomara que esse vírus imploda a educação do século XIX que ainda existe.
03/05/2020
Este post viralizou e me vi obrigado a criar uma página para continuar compartilhando com vocês outras coisas que me motivam a ser um educador. Recebi mensagens de todo canto do mundo pedindo que eu continue inspirando outras pessoas. Visite a página Educação Contagiante"  (https://www.facebook.com/educacaocontagiante)
Autor: André 

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Alguém ainda usa blog?

    Eu me lembro quando isso aqui começou- essa coisa de blog, para mim.
    Tenho a impressão de que comecei tarde. Quando estreei no mundo dos blogs (não que tenha sido uma grande estreia ou, muito menos uma jornada incrível) o Facebook já existia, e ao longo dos poucos anos em que fui assídua autora e leitora de blogs, vi desaparecer um por um dos meus blogs favoritos (que migraram pra outras redes) até finalmente desistir desse aqui e torná-lo privado- Deus me livre deletar, registrei memórias impagáveis aqui, além de contar com a esperança de um dia a moda voltar, porque é bem comum ver isso acontecer (as pessoas são mesmo saudosistas, apegadas ao passado ou retrogradas, eu não sei bem porque, mas se precisamos lidar com defensores da Terra Plana, por que não voltar com blogs, né mesmo?)
    No fim das contas o blog é uma coisa que me gerou um prazer enorme de poder escrever e compartilhar ideias. Hoje em dia, se ninguém mais quiser compartilhar comigo- afinal, quem é que lê blog, em pleno 2020, afinal? Eu me contentarei com o prazer despretensioso de escrever, e escrever um blog porque, sim, eu sou uma dessas pessoas saudosistas. Não que eu não tenha outros meios para escrever. É claro, estou no Facebook e Instagram igual a todo mundo. E até achei que o Facebook iria começar a desaparecer, mas ao que parece, talvez às custas de grupos, empresas que precisam estar lá e pelo valor comercial que ele possui, ele continua firme, mas não é bem a plataforma certa para mim, ou para quem ama mesmo escrever, não sei.
    Sobre o Instagram, aproveito para registrar aqui minha indignação: limitar o número de palavras que alguém pode escrever em um post deveria ser um crime num mundo onde tanta gente tem tanto a dizer (eu sei que muita coisa pode ser ruim, mas como eu filtro muito bem que eu sigo, tenho a sensação de que há centenas de escritores talentosos tentando usar o Instagram como plataforma para talvez iniciar sua carreira, mas parece que ele nasceu apenas para fotos bonitas e não está interessado em virar rede social de textão, embora um textão muitas vezes valha mais que mil imagens. 
    Não vou falar sobre Twitter. O limite dele é tão estreito que fiquei sem ar só de tentar. Além disso não entendo nada de Twitter. Não entendo quase nada de redes sociais em geral, mas eu não disse que era especialista, né? Desculpe se te decepcionei, mas só estou aqui pra falar das minha impressões (na verdade esse post era só pra contar que eu voltei).
    Enfim, o porquê de o Instagram limitar o número de palavras em uma legenda não me parece justo e me remete ao desespero terrível que sentia ao tentar fazer caber minhas redações da escola no limite que a professora escolhia como razoável. Me pego pensando: se um dia eu for professora eu também terei que ditar o número de linhas pelas quais meus alunos poderão confabular, afinal, corrigir texto é uma tarefa árdua e não temos todo o tempo do mundo- mas uau, que ideia terrível. Soa como tortura ter que limitar o espaço físico destinado à abrigar todas as enormes ideias, sonhos, lamentos e todo o infinito que cabe em nós.
     Mas não importa. Ainda temos os blogs, esses cadernos virtuais preciosos, antiquados, lindos e queridos. que nos dão tanta liberdade. Aqui você pode escrever quantas linhas quiser. Pode alterar a fonte, o plano de fundo. Se quiser dá pra ganhar um dinheirinho com AdSense, e pasmem: pode até compartilhar fotos (segura essa, Instagram).
    E foi por isso que eu voltei. Obrigada por ainda estar aqui, querido blog. Logo logo te conto as novidades.

sábado, 30 de maio de 2020

Quando me tornei adventista...


    quinta-feira, 9 de junho de 2016

    Mamãe pata

    Sou uma mãe pata. Você pode imaginar a mamãe pata e seus patinhos nadando calmamente na lagoa e pensar que isso é super poético, mas não é.
    Num desses domingos em que estávamos no sítio onde meus pais vivem, observávamos os patos na represa e meu tio fez a seguinte observação:

    "O pato é um animal que nada, voa e anda, mas não faz nada disso direito"





    Eu nunca havia escutado essa teoria e ela ficou martelando em minha mente por meses, porque sim, me sinto um pato. Sinto que sou dona de casa, mãe, esposa e estudante (agora estudante bolsista) e sinto que tenho a habilidade de um pato pra fazer tudo isso. Só não me sinto pior porque quando eu era apenas estudante eu não era a melhor da turma, não era uma estudante excepcional mesmo que fosse minha única tarefa. O mesmo aconteceu com as outras atribuições, mesmo que não tenham sido tão isoladas (depois que somos mães é díficil se enquadrar numa única função).

    Esse vai ser um texto sem conclusão, perdoem. Apenas precisava dizer que essa vida de pato não tá fácil, e se você tem dicas eu não dispenso nenhuma, já que com a correria a terapia foi adiada por tempo indeterminado.

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