Páginas

"...porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."Josué 24:15
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Mamãe pata

Sou uma mãe pata. Você pode imaginar a mamãe pata e seus patinhos nadando calmamente na lagoa e pensar que isso é super poético, mas não é.
Num desses domingos em que estávamos no sítio onde meus pais vivem, observávamos os patos na represa e meu tio fez a seguinte observação:

"O pato é um animal que nada, voa e anda, mas não faz nada disso direito"





Eu nunca havia escutado essa teoria e ela ficou martelando em minha mente por meses, porque sim, me sinto um pato. Sinto que sou dona de casa, mãe, esposa e estudante (agora estudante bolsista) e sinto que tenho a habilidade de um pato pra fazer tudo isso. Só não me sinto pior porque quando eu era apenas estudante eu não era a melhor da turma, não era uma estudante excepcional mesmo que fosse minha única tarefa. O mesmo aconteceu com as outras atribuições, mesmo que não tenham sido tão isoladas (depois que somos mães é díficil se enquadrar numa única função).

Esse vai ser um texto sem conclusão, perdoem. Apenas precisava dizer que essa vida de pato não tá fácil, e se você tem dicas eu não dispenso nenhuma, já que com a correria a terapia foi adiada por tempo indeterminado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Juju e a apendicite

Quando nos tornamos mães, eu acho que o coração fica um pouco mais forte, caso o contrario eu não estaria aqui escrevendo, teria infartado no momento em que ouvi o cirurgião pronunciar as palavras "apêndice/ cirurgia (amanhã)/ anestesia geral".
Foi na terça, dia 22 de setembro. Mais um dia comum em que volto do trabalho pensando em como minhas meninas estariam voltando: Rafaela e Renata da escola e Ana Júlia da casa da minha tia, onde passara a tarde com minha mãe. Graças a Deus o avó pode pegá-las e trazer pra casa de carro, porque se você não sabe minha cidade é feita de escolas, ipês e morros.

Depois de me arrastar por quase uma hora, carregando junto com meu peso, todo o cansaço de mais um dia de trabalho, cheguei um pouco depois delas, que me esperavam na frente de casa. A avó comentou que a Ana estava com dor na barriga, mas até aí todos nós ainda acreditávamos que era por conta de uma batida que ela deu na quina do baú da casa dá vó no sábado, era um pouco estranho doer na terça porque no domingo fomos na roça, e ela nadou e aproveitou muito bem o dia, na segunda foi à escola e ao Taekwondo, e só se queixou a noite, mas pensei que foi a mistura da dor da pancada com o treino puxado que ela disse ter feito. Na terça pela manha ela reclamou de novo e eu comecei a ficar preocupada: agradeci a Deus quando a amiguinha que faz revesamento de carona com minha irmã disse que sua mãe a buscaria mais cedo, pois ela estava com febre e só iria fazer a prova. Decidi que a Ana voltaria mais cedo com ela. Durante o dia ela ainda se queixou, e ela não é disso. Podia ser só uma dorzinha no local que estava roxinho, mas (infelizmente) uma priminha do meu marido descobriu um tumor achando que era só uma pancada. Então achei sensato levá-la ao pronto atendimento, mesmo com pouca esperança de pedirem um raio-x, e achando que ia sair de lé apenas com uma prescrição para anti-inflamatório, gelo ou coisa do tipo. Estava em casa sozinha com as 3, e como minha habilitação ainda é um desejo na lista, esperei o Renato chegar. Enquanto isso tomei e dei banho nelas, depois deixei a Rafaela e a Renata vendo vídeo e deitei com a Ana, nós duas cochilamos, quando Renato chegou ela ainda dormia e eu quis deixar o hospital para a manha seguinte. Mas ele ficou preocupado, a acordamos e ele pediu que ela mostrasse onde doía. Era bem no local onde ela havia batido, mas esse também era o local do apêndice.
Logo o papai  pensou em apendicite, e insistiu que deveríamos levá-la naquele instante. Ela odeia hospital, mas estava realmente com tanta dor, que só pediu pra ir logo, e pra levar a joaninha de pelúcia com a qual dorme desde os 5 anos. E foi assim que chegamos ao cirurgião, depois de esperar um bom tempo na recepção, passar pelo pediatra, colher sangue e urina, andar de cadeira de rodas pela primeira vez, e lacrimejar silenciosamente (partiu meu coração ver isso) nas vezes em que o pediatra, e depois o cirurgião apertaram a região do apêndice, o pai assinou os papeis da internação, depois ficou com ela enquanto eu ouvia e tentava não chorar com as palavras do médico. Anestesia geral pra mim era o pior de tudo. Indaguei sobre exame de risco cirúrgico, mas ele disse que criança não precisa. Me restou confiar que ficaria tudo bem, e segurar a mão da minha pequena enquanto encontravam uma veia pra botar o soro e o antibiótico. O médico não me deu hora certa pra opera-la pois o centro cirúrgico estaria bem cheio no dia seguinte, mas disse que seria pela manha.

Essa manha demorou passar. Orei com ela e expliquei o que era a cirurgia da maneira que consegui, tentando deixá-la tranquila. Ela não estava nervosa como um adulto ficaria, com medo do pior. Estava mais é com raiva daquilo tudo, principalmente de ficar presa ao soro e não poder ir pra casa.
Só nós duas e as enfermeiras estávamos no andar da pediatria, ela já estava entediada com a Tv, não podia comer, nem se livrar do soro. A levei pra dar uma volta até onde ficavam uns brinquedos, pegamos alguns e fomos para o quarto. Brincamos de chá.







Quando era quase 12h uma enfermeira trouxe a camisola que eu deveria por nela para a cirurgia. A tensão aumentou um pouco, mas tentei ficar calma e transmitir calma à ela, que era quem passaria pela pior parte afinal. Fiz uma trança em seu cabelo e lhe ofereci o batom pra passar. Tirei uma foto. Esperamos um pouco, e finalmente vieram. Ela havia me feito prometer que ficaria com ela o tempo todo, mas como sabia que isso não seria possível prometi que ficaria até onde permitissem, e foi até a porta do centro cirurgico. Me despedi dela com uma abraço e pedi que ela fosse corajosa, mas quando ela olhou pra trás tentando segurar o choro eu desmontei, e fui pro quarto chorar cheirando o vestido que ela usou no dia anterior. Chorei, orei, troquei mensagens com o marido, parentes e amiga- essa ultima orou comigo via whatsapp e consegui me manter um pouco mais calma, até não aguentar e ir pedir informações para a enfermeira. As da pediatria não podiam ajudar muito, em compensação uma das do centro cirúrgico manteve uma porta aberta de forma que eu conseguia ver uma parte da sala de cirurgia (uma porta de vidro ainda estava fechada) não dava pra ver a Ana, mas consegui ver o movimento de médicos e enfermeiras e me assegurei de que estava tudo bem. Algumas enfermeiras vieram me dizer que estava quase terminando. Durou uma hora, mas foi uma das piores horas da minha vida. O médico saiu e antes de entrar no elevador me disse que a cirurgia foi tranquila, o apêndice, como ele já havia dito não estava sulfurado, mas ela ainda levaria mais ou menos 1 hora pra voltar da anestesia e só aí iria voltar pro quarto. O Renato chegou as 13h, e as 13:30h a minha sogra, e a Ana veio pro quarto só as 14:30. Ela ainda dormiu o dia todo. Só acordou de verdade a noite quando médico e as duas tias foram vê-la.
Na quinta de manha a melhor noticia: Alta! Mal pude acreditar, eu até não me importo tanto o clima de hospital, mas a Ana estava aflita pra ir embora e se livrar do cateter, do soro e da Tv que tinha todos os canais de desenho, mas não tinha controle.

Ficamos na minha sogra até o sábado. Precisei trabalhar sábado, e hoje também. Mas hoje é o ultimo dia do meu período de experiencia na empresa, e eu pedi demissão, e essa cirurgia da Ana foi apenas a gota que faltava, eu já não estava satisfeita. Não quero me sentir dividida: quando estou com minhas filhas, penso no trabalho, quando estou no trabalho, penso nelas. Quero ser inteira. E já me decidi que a partir de agora trabalho, remunerado ou não, só de casa.
Foi uma decisão extrema, mas eu fico em paz, sei Quem cuida de mim.

 "Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. "
1 Pedro 5:7 




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Virando "Gente Grande"

É engraçado o poder que as palavras têm. 
Há menos de 2 meses eu escrevi esse post contando que a Rafa havia ido pra escola. No final dele, concluí: 

..."A Rafa foi pra escola, e eu provavelmente vou voltar pra uma também. É hora de ser algo mais, alem de mãe, embora é claro nunca serei capaz de achar carreira mais importante. É hora de crescer, afinal, meus bebês cresceram!!!"




Quando disse que provavelmente voltaria pra uma escola, me referia a terminar o ensino-médio (não, eu não terminei). No entanto quando falei sobre crescer, eu realmente não faço ideia do que me passava pela cabeça. Eu simplesmente não consigo me lembrar se eu estava pensando em crescimento financeiro, acadêmico, pessoal, ou se falei por falar só por que achei que era uma forma bonitinha de fechar o texto (isso é o mais provável). Eu só sei que escrevi e tá aí pra todo mundo ver. O que me surpreendeu nisso tudo é que agora estou mesmo em um escola, eu não voltei a estudar (começarei a estudar por conta própria para o Enem), mas estou trabalhando como recepcionista em uma escola de inglês e cursos profissionalizantes. Isso pode ser até "engraçado", por eu ter falado sobre voltar pra uma escola e estar vivendo isso agora, de uma forma repentina, que veio sem eu ter corrido muito atras. Já a parte do crescimento, não é assim tão divertida. Pode parecer estranho dizer que só agora, com 25 anos e 3 filhas no currículo, é que, finalmente estou virando "gente grande", mas é a mais pura verdade. Eu sei muito bem o que é responsabilidade, e acredito que nenhuma profissão no mundo exija mais responsabilidade do que a maternidade (alem de vários outros atributos), eu sei o que é acordar cedo querendo dormir mais, o que é parar o almoço pra limpar bumbum, o que é fazer coisas que nunca se imaginou fazer, lutando contra a própria preguiça. Sei o que é deixar-se de lado pra cuidar de outra pessoa. O que é fazer malabarismo pra equilibrar as contas, e ficar quase sem roupa pra poder pagar todas as contas e tentar oferecer o melhor  para nossas filhas. Sei o que é trabalhar sem folga, sem férias, sem salario. Mas acho que é justamente aí que começa a diferença tão gritante entre um trabalho fora e o trabalho como dona de casa (falo especificamente no meu caso, não tem nada a ver com a experiencia de outras mulheres) Por mais que a rotina em casa seja cansativa, estar com minhas filhas era o pagamento. Elas, vez ou outra me cobravam um trabalho mais bem feito. Eu e meu marido nos cobrávamos que a casa estivesse mais organizada, a roupa estivesse sempre limpa e passada, mas tudo de uma forma tranquila. Ninguém seria demitido se as coisas não saíssem direito. 
Agora "o buraco é mais embaixo", preciso me concentrar mais, dar  toda minha energia.Agora há um salário: e minha mãe estava certa, só mesmo quando se trabalha, se dá valor ao dinheiro. Agora sei como é difícil sair de casa, quando só queria ficar, e ver um pouco de TV enquanto lavava a louça.Deitar um pouquinho no meio do dia. Vestir a roupa que mais me convinha. Agora é roupa preta, social, todo dia, um saltinho é bom, nada de tênis, uma maquiagem, que julgo desnecessária, pra ganhar um salário que adivinhem só: não vai dar pra mudar o mundo rsrs....
Acho que isso tudo faz parte do crescimento...e como doí ter que crescer!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Hoje é Tempo de...


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."





Esse é o versículo "do momento"(literalmente).
Andei sumida do blog por bons motivos: Primeiro viajem de férias para Caldas Novas, depois feriado de Páscoa, e por fim, comecei a trabalhar essa semana!
Estou amando, estou feliz, e claro, ainda não nos adaptamos. Eu ainda não peguei o ritmo do trabalho, e as meninas ainda não entenderam direito todas as mudanças, mas estamos indo bem. O melhor de tudo é saber que Deus está a frente de tudo isso. Ter a certeza de que nem uma folha cai sem sua permissão, e de que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus".
Logo que tiver um tempo venho contar como estão as coisas!

sábado, 26 de maio de 2012

"Quero dar o que eu não tive..."





...Que mãe nunca pensou assim? Talvez nessa nossa geração esse pessamento tenha diminuído, creio que por que quando crianças, a maior parte de nós não sofreu tanto, não sentimos falta de coisas básicas. Eu me lembro muito da minha mãe esbravejar quando fazíamos cara feia pra sua comida (que alias é a melhor do mundo)...
..." Quando eu era criança não tinha nem isso..."
E ela fazia longos discursos sobre sua infância, suas dificuldades, sobre sentir fome, frio, não ter brinquedos, ter só um par de sapatos, e ter de começar trabalhar aos 13 anos.
Como filha, é claro que eu não gostava de ouvi-la: Sentia uma mistura de pena e raiva, pensava que aquilo tudo era reclamação, exagero, enfim...
Agora, como mãe, sei muito bem que no fundo ela queria apenas nos conscientizar, mostrar que o que tínhamos era muito, que deveríamos ser gratos. Hoje eu sei que fazer uma criança enxergar a vida alem de seu umbigo é uma tarefa bem exaustiva. Com as meninas eu sempre converso, e as ensinei a orar pelas crianças que não tem comida, que não tem casa ou que não tem papai e mamãe. Elas oram antes do almoço, e eu acho lindo, por que nem precisamos mais lembra-las, ou seja: de certa forma elas entendem que nem todos tem o mesmo que nós, mesmo que não seja muito.

Minha mãe demonstrava muito orgulho de trabalhar,  valorizava seu trabalho: Era uma costureira eximia.

E sim, ela nos dava o que ela não teve. Comprava muitas roupas, quando não, ela mesma costurava, confecção sob medida! Quase sempre chegava do trabalho com um presentinho, uma coisinha, mesmo bem baratinha. Eu me lembro com saudades das balas geladas de coco e abacaxi que ela trazia toda semana.
Ela ficava feliz em nos presentear, fazer festa de aniversário todo ano, mesmo depois de "grandes" nunca ficamos sem um bolo, docinhos e "parabéns".


Hoje fico pensando sobre o que eu quero dar as minhas filhas...Na minha infância não me faltaram brinquedos, roupas ou comidinhas gostosas: Minha mãe fazia questão de não deixar faltar nada disso, como já disse...Tudo isso me fez refletir sobre valores e sobre pontos de vista, pois às vezes o que importa pra mim, não é importante para minha filha...

No meu caso pouco me importava se minha mãe estava feliz em poder comprar nossas coisas e ter mais comida em casa do que ela teve quando criança. Isso era irrelevante pra mim. Sim, haviam coisas materiais que eu gostaria de ter, mas nunca sofri por isso.

 Eu apenas queria minha mãe por perto. Sentia falta de falar com ela enquanto ela cozinhava, coisa que fazia nos períodos em que ela esteve em casa, sem emprego, ou por estar cuidando de minha avó.Sentia falta de sua ajuda na lição de casa, e sentia sua falta quando não encontrava aquela roupa, ou aquele livro. Eu a queria por perto, queria saber que ela estaria me esperando depois da escola, e que poderia encontrá-la em casa, sempre.

Isso é um dos motivos pelo qual ainda sou dona de casa. Quero estar presente na lição de casa, na hora do almoço e de dormir...Mas será que é isso que elas querem ou precisam? O que quero dar a elas eu sei: Minha atenção e dedicação 24h...

Mas ficam as duvidas, a ansiedade, a pressão da sociedade, a dorzinha no coração quando escuto "mamãe compra pra mim?" e a vontade de ajudar o marido nas despesas (nada leves com uma família de 5 pessoas).
Sempre idealizei uma casa grande, muitos brinquedos e um quarto de princesa...por isso meu plano inicial era de voltar a estudar depois que a Ana nascesse. Terminar o colegial, fazer faculdade, trabalhar...seguir o percurso que tracei, mesmo que a maternidade tivesse vindo antes do planejado...mas não pude.
Fui incapaz de desgrudar da minha cria, mesmo que o colégio ficasse perto de casa, mesmo que o Renato apoiasse, mesmo que minha mãe estivesse disposta a cuidar da minha pequena, e fizesse isso melhor que eu. Eu adiei. " Espera até os 6 meses..." e depois1 ano, e então eu já estava grávida da Renata.

 Quando a Renata completou 1 ano eu me enchi de coragem e voltei...fiz de novo o 2º ano,  e comecei o 3º mas...percebi que aquilo não era pra mim, a sala de aula me cansava mais do que cuidar de duas bebês e da casa. Não era a matemática (encontrei a melhor professora do mundo nesse período) não era química nem física (fiquei muito boa nessas duas, depois de ser mãe!). Era a classe, o barulho, as conversas, as pessoas que não tinham absolutamente nada a ver comigo, com minha vida. Eu chegava em casa chateada, e quase as onze da noite, ainda haviam duas meninas para fazer dormir. Fiquei doente em outubro. Encontrei uma boa desculpa pra jogar tudo para o alto e voltar a ser só mãe.

Como é difícil decidir, não deveria ser tão complicado. Devíamos ter uma Máquina do Tempo para ver se nossos filhos vão estar felizes no futuro com sua mãe dona de casa, ou se vão reclamar por não terem tudo o que queriam (se é que alguém pode dar)...

Dona de casa:
"Ser ou não ser? Eis a questão!"



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...