( ) em casa
( ) no trabalho
( ) na faculdade?!
Algumas pessoas diriam que todas as alternativas estão corretas, que o importante é que essa mãe se sinta bem. Mas eu acho que a coisa vai bem mais alem, até por que "sentir-se bem" é algo um bocado relativo, não acha? Você pode ter optado da maneira mais livre possível por ficar em casa cuidando da cria e realmente crer que essa é a melhor opção, que está fazendo o correto, mas nem de longe isso significa que você vai se sentir bem todos os dias. O mesmo vale para o trabalho: você pode amar seu trabalho, conseguir lidar tranquilamente com o malabarismo entre suas funções, e ainda (apostando mais alto) não sofrer de culpa alguma, mas isso não garante que ela ira se sentir bem o tempo todo, ou que nunca irá se questionar. Sobre a faculdade a ladainha continua, afinal, falando por mim mesma, que faço a faculdade que sempre sonhei, na certeza de que estou fazendo o correto, no momento apropriado e...adivinha? Não estou tão bem assim, afinal, como ficar bem no meio de um monte de gente mais nova, com rotinas, interesses e mentes tão diferentes da minha? é no minimo desconfortável.
Acontece que como já sabemos, não dá pra se limitar a viver apenas as coisas que te atraem, que te fazem bem, que te deixam confortável. Muitas vezes essa opção nos é negada, existem obrigações a serem cumpridas e nem sempre (ou quase nunca) será agradável cumprir.
É o caso da minha faculdade. Sim, eu tô amando, mas não estou numa situação invejável. Se eu quiser usar o computador tranquila pra estudar, ou ler as dezenas de coisas já acumuladas, preciso acordar as 5 h da manha, depois de ter saído da faculdade às 22:40, e de botar todas na cama (o que leva pelo menos 50 min). Entre uma coisa e outra tem a roupa pra lavar, dobrar, guardar, a comida, a louça, a casa, enfim...Alem da já citada sensação de ser um peixe fora da água. Ou seja: mães não frequentam a faculdade por prazer ou diversão. Se estão ali é porque precisam e porque
merecem ocupar uma carteira, o estado civil ou a quantidade de filhos não são pré-requisitos para se formar.
Há alguns dias eu me deparei com essas duas matérias:
Uma aluna foi impedida de fazer uma prova na USP- leia
aqui
Outra recebeu uma suspensão por entrar com a filha na faculdade!Leia
aqui
(Coincidentemente o nome das duas é
Aline!)
São dois casos diferentes mas que tratam do mesmo problema: dificuldades de mães universitárias.
Como sou as duas coisas (mãe/ universitária) o assunto me chamou atenção, e me lembrou de uma história que compartilhei no meu Face em maio desse ano (era meu terceiro mês na universidade, e o caso me comoveu tanto que chorei- e eu não sou chorona): A aluna leva o bebê para aula.O bebê começa a chorar. Ela se levanta para sair da sala. O professor pega o bebê no colo, o acalma e continua a aula. Aconteceu em Israel.
(Matéria completa
aqui)
A filha desse professor disse algo que achei incrível :
"ele acredita que nenhuma mãe deve escolher entre a educação e a maternidade."
E por ai vemos que ele não é só um excelente professor, mas também é excelente pai, e me atreveria a dizer que uma é pessoa fantástica, mesmo sem conhecê-lo.
Eu não precisei levar minhas filhas para a aula. Ainda.
Mas eu as levei à uma palestra que marcou a aula inaugural do curso de pedagogia na UFLA, e mesmo que o Renato tenha as levado para fora, pra brincarem um pouco (afinal a palestra foi extensa demais, até para nós estudantes), no final elas foram respeitadas, meus professores as cumprimentaram e elogiaram, inclusive. Numa outra ocasião levei a Ana à um evento e também não tive problemas.
Se o mundo fosse um pouco mais justo, não teríamos esse tipo de problema. Mães são seres incríveis, sim, mas somos humanas! Podemos estar em qualquer lugar, lugar de mãe é onde ela quiser, e lugar de criança é perto da mãe, também!