Em quase oito anos de mãe e mais de dois escrevendo esse blog, venho tentando definir com precisão (e um pouco de poesia) o que "Ser mãe é...", acho que finalmente consegui. Ser mãe é uma escola de aprender a viver. Isso me veio a mente num momento qualquer durante essas férias.
Não quero com isso afirmar que alguém precisa ser mãe pra aprender a viver, mas quando você é mãe aprende a viver de uma forma muito diferente, e por mais individualidade que se tente manter, a gente acaba vivendo por e para outra pessoa, ao menos nos primeiro meses do bebê. Você aprende a levar o supérfluo do filho à frente de suas necessidades (profundo isso? Bem, às vezes significa ir ligar a TV e colocar no canal/ desenho que seu filho pediu mesmo estando super apertada pra ir ao banheiro, ainda que isso seja motivado também pela necessidade de privacidade no banheiro)
Alguns dias antes acordei- muito mal morada pensando: "A maternidade só serviu pra revelar o que eu tinha de pior!" Me surpreendi com meu próprio pensamento, um tanto obscuro, por sinal, mas na hora estava tão brava (justamente por ter que me levantar ainda morrendo de sono) e nem consegui desviar dessas ideias...e continuei monologando..."Revelou o pior de mim, e ainda transformou minhas qualidades em defeitos" Parecia que não tinha sobrado nada de bom:
O que eu achava ser altruísmo era só uma sombra, uma cortina cobrindo minha personalidade egoísta. Não é egoísta de não querer dividir, ou de se achar mais importante. Mas me acho egoísta sim, por querer ficar sozinha com frequência, por querer fazer minha refeição em paz, e às vezes, como nesse dia, me chatear por não poder dormir o quanto queria.
O que muita gente que me conhecia (ou achava que conhecia) julgava ser paciência, aquela virtude tão apreciada..nada mais é do que pura lerdeza...disso eu já desconfiava. Sempre odiei esperar, ou ficar repetindo uma coisa pra que alguém entenda (ou no caso delas, obedeça) mas depois que me tornei mãe é que percebi de fato o quanto posso ser impaciente. E a lerdeza? Tá aqui, sempre ao meu lado, melhor dizendo, acho que está nas minhas costas, agarrada igual a uma Preguiça. E por falar em preguiça, ela é a mesma, desde sempre... a diferença é que antes eu sempre podia tirar um cochilo depois de jogar o uniforme e os livros pelo quarto.
Revelar meus "podres" e transformar virtudes em defeitos pode ser mesmo muito ruim, mas felizmente não foi tudo o que a maternidade fez por mim.
Ela me tornou mais mansa, muito acima da definição de mansidão que eu tinha...aquela ideia de pessoa que simplesmente aceita tudo do jeito que a vida entrega, de cabeça baixa, como se, assim, estivesse subindo alguns degraus até o céu. Hoje sei que sou mansa, pois sei que nem tudo é ou será como eu quero. Sei que não sou dona da verdade, sei que não estou sempre certa, e desconfio que, ao contrario, eu esteja SEMPRE errada, mas não me deixo abater, e sigo firme sabendo que é melhor errar tentando acertar do que se achar a imaculada.
E me tornou humilde. O suficiente para aprender com uma criança que, em tese, deveria ser ensinada por mim.A ouvir as verdades que minha filha me diz às vezes, mesmo que meu ideal era ter todas as respostas.
Me tornou flexível, aprendi aceitar as diferenças e enxergar as pessoas de uma forma totalmente nova. A entender que nem tudo é culpa da mãe...E sobretudo que minha mãe fez SIM o melhor que ela poderia...e eu nunca chegarei aos pés dela.
Já me conformei com a ideia de não ter o controle do agora e muito menos, do futuro.
Aprendi na pratica o significado da frase "só sei que nada sei".
E, por fim, fiz a descoberta mais maravilhosa de todas: Aprendi que o amor se aprende. Assim como andar de bicicleta...ou qualquer coisa...Você aprende com a prática, e quanto mais ama, melhor fica nisso. E essa escola de ser mãe é ótima também em ensinar a amar...a amar alguém mais do que você mesma. Ainda estou longe de me formar.Na verdade, não pretendo sair nunca dessa escola. Quem sabe um dia me torno professora. Quem sabe o tempo me ajuda, e vou me graduando até me tornar uma mestra, doutora...e assim poderei repassar um pouco do que tenho aprendido. Mas, por enquanto, sou só uma simples aluna, uma aluna mediana, eu acho...Mas que a cada ano se esforça por melhores resultados, e é feliz, muito feliz, por ter a honra de frequentar essa tão renomada "escola de aprender a viver"!