Eu me lembro de, quando adolescente, ao ler um livro, procurar sempre pela biografia do autor. Queria saber quantos livros ele havia publicado. Também lembro de ouvir apresentadores na TV falando sobre aquele convidado especial: em quantas novelas havia atuado, ou quantas músicas compôs, quantas cópias aquele CD havia vendido. E tinha prêmios: disco de ouro, de platina, diamante.
Hoje eu quase não vejo TV e há muito tempo não vejo uma premiação dessas. Talvez porque, agora, aprendemos a contar seguidores. Mais do que qualquer coisa, hoje em dia parece que o valor de uma pessoa está diretamente ligado ao seu número de seguidores. Não precisa escrever muitos livros, compor muitas músicas, nem ter muito talento, mas se tiver uma quantidade realmente significativa de seguidores, se prepare para entrar no rol das pessoas reconhecidas e ricas deste Brazil.
Mas hoje não quero falar de redes sociais. Vamos conversar sobre algo mais complicado, mais profundo e principalmente, mais real: a vida. Na vida temos seguidores também. Eu tenho três. Para alguns, pode parecer pouco, mas numa época em que muita gente escolhe ter um ou dois, três já é demais. Tem gente que prefere ter nenhum, e como o mundo anda bem caótico, eu entendo perfeitamente. Sabe, eu não sou nenhuma juíza, mas eu acredito que talvez seja melhor não ter nenhum do que ter vários seguidores de forma irresponsável. E acontece, algumas vezes, que a pessoa, mesmo sem querer, acaba tendo vários seguidores. Nem sempre é possível planejar. Já vi pessoas muito bem intencionadas, e dotadas de muito bom-senso, planejar um ou dois, que recebem de brinde, quatro.
Bem, o fato é que na vida, não importa tanto o número de seguidores, como em uma rede social. Importa mais aquilo que seus seguidores estão observando. Isso porque eles tem um (super) poder de nos avaliar e revelar nosso melhor e o nosso pior. Se algumas vezes nos enchem de orgulho repetindo o que ensinamos com intencionalidade, outras vezes (e, talvez, muitas vezes) quase nos matam de vergonha mostrando tudo que há de mais asqueroso em nosso caráter.
Temos uma tendência boba de sofrer muito quando passamos vergonha em público. Nos preocupamos muito com o que os outros vão pensar. Mas, se formos mais honestos, ficaremos envergonhados mesmo quando ninguém está observando e você perceber que aquela frase, aquele olhar ou aquela atitude de seu seguidor, só pode ter vindo de um lugar. Ou melhor, de uma pessoa: você mesmo, e não adianta mentir.
Muito mais fiéis do que um espelho, nossos seguidores, se passarem tempo suficiente conosco, irão copiar manias, o jeito de andar, falar e de levar a vida. A questão é: você está pronto? Se sente digno de ser copiado? Terá prazer em conviver, por muitos anos, com uma, como dizem, versão “mini e atualizada” de si mesmo?
Eu amo observar crianças. Como elas são incríveis na arte de copiar! Quando eu conheço a família, percebo claramente de onde vem a simpatia, o carinho, até o jeitinho de falar e sorrir. E também vejo que, antes de cair o primeiro dentinho ou de aprender a escrever o próprio nome, uma criança já sabe ser malvada, ofensiva, preconceituosa, ousada, rebelde, ansiosa, mentirosa, sensualizada, manipuladora.
Uma vez, uma professora que lecionava para duas de minhas três “seguidoras” me disse: a fruta não cai longe do pé. Era um elogio, graças a Deus. Eu não lembro exatamente sobre o que ela falava, mas fiquei tão feliz, pois educar foi meu trabalho de tempo integral durante vários anos. É claro que ela não sabia sobre meus estridentes gritos- um hábito terrível que, adivinha só? Herdei de minha mãe e que ecoavam em minhas três seguidoras. Sobre esses, só meus vizinhos próximos sabiam. Mas, eu me ressinto diariamente de minha própria falha, e sofro com ela mais do que qualquer outra pessoa. No fim, a parte podre da fruta é a que queremos esconder, mas, em um momento ou outro vem à tona. O fruto não cai mesmo longe do pé...Esse ditado me lembra de uma conhecida fala de Cristo: “Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.” Lucas 6:43.
Seus seguidores são os frutos mais importantes que você deixará nessa terra. Na verdade, são a única obra que você poderá levar para eternidade. Naquele glorioso dia, o Criador e Redentor da vida não irá perguntar onde está a casa que você construiu, o carro que comprou, nem mesmo os amigos que ajudou. Sim, ter seguidores é uma honra, mas também uma enorme responsabilidade. Que sejamos capazes de, diante Dele, dizer: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor”. Isaías 8:18
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