Esse ano nem tudo foi festa
Mas nem tudo foi só choro
Nem tudo foram flores
nem todo dissabores
O ano não foi todo de riso
e nem só de chateação
Mesmo tão cansada eu insisto
em cantar mais uma canção
Bato o pé e digo:
ainda ando contente
Ainda não é o fim
pode ser até começo, se eu quiser
Pode ser que doa um pouco
lembrar de algumas coisas sim,
Mas sei que haverá mais cor
Se me lembrar que há sempre luz no fim
Pode ser que esse seja o pior dos anos
Tomara tenha sido o de pior sorte
Tomara o próximo seja melhor
Ou então que seja eu mais forte
Pra você feliz Natal e 2016 muito melhor!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Férias pra mães
Quando teremos férias? Não é férias de ser mãe. Depois que você é mãe, não tem volta, é pra sempre. Nenhuma mãe- que é mãe de verdade, tendo ou não gerado um filho, sendo ou não reconhecida como tal pela sociedade, porque sabemos: há muitas tias-mães, avós-mães,e até professoras-mães, que são mais mães do que aquela que teve seu nome citado na certidão de nascimento, enfim, nenhuma mãe de verdade deseja abrir mão de seu papel, ou se abster dele para sempre. Mas queremos férias sim, e não dá pra negar. Que sejam algumas horas apenas, em que tudo o que se precisar fazer e pensar- ou porque não, não fazer e não pensar, seja para si mesma e mais ninguém. Algumas horinhas em que ela se dê o direito ao egoismo, sem ser chamada de egoísta. Um almoço ou jantar servidos por outra pessoa e saboreado vagarosamente ainda quente e apresentável, sem interrupções para limpar o bumbum de alguém, para pedir que parem de brigar ou que não joguem no chão a comida feita com tanto carinho, que pelo amor de Deus comam a beterraba porque faz bem. Quando poderemos cozinhar o que nos apraz sem nos preocupar com o paladar ou as necessidades nutricionais dos filhos?
Quando poderemos ver um filme romântico, ou de ação, ou de zumbi ou de exorcismo, ou qualquer coisa que não lembre Peppa Pig, Disney ou algo assim, sem nos preocupar com os pequenos que habitam o mesmo teto e que muitas vezes parecem desinteressados da TV ou Netflix, nas horas em que seria bem conveniente que eles se distraíssem com tais coisas, mas que, basta a mãe pensar em assistir algo, e lá vem eles, de olhinhos atentos formulando mil perguntas sobre o que estão fazendo as pessoas na tela?
Quando vamos poder dormir na nossa cama sem alguém subindo em nossas costas, ou nos chamando porque tem medo, ou dor de barriga, ou fome no meio da noite? Quando vamos nos aposentar do cargo de contadoras de historias e não mais ter que usar toda a criatividade e energia mental que nos restam no fim de mais um dia, inventando contos que prendam a atenção dos pequenos por alguns minutos, pois os 10.000 livros comprados já não tem graça?
Quando vamos poder usar o banheiro e tomar banho sem pensar no que pode estar acontecendo lá fora, ou sem a presença desnecessária de expectadores?
Isso tudo vai passar. A gente sabe disso. Um dia vamos poder nos sentar e ler um livro, e tomar chá, e comer tranquilamente e curtir o extasiante prazer do silencio . Mas por enquanto ainda estamos cansadas, ainda nos sentimos presas na rotina de fazer tudo pra todo mundo, e mesmo que a esperança consciente de que isso vai passar possa trazer um pouco de conforto e alivio nos momentos mais tensos, nós simplesmente ignoramos esse fato. Talvez por sabermos que a lembrança desses tempos cansativos vai virar saudade um dia, quando percebermos que as camas estão sempre arrumadas e o chão limpo, e ninguém te chama a cada 10 segundos, as risadas, gritos e o choro serão um eco distante, e a correria pela casa é só sombra na memoria. Talvez a gente prefira esquecer que eles crescem, por que isso doí demais.
Bem talvez nós não queiramos férias de verdade. Talvez queiramos apenas lembrar aos outros de que somos humanas e nos cansamos, e nos aborrecemos, e por vezes até nos desesperamos com tudo o que envolve o ser mãe.
Se você é mãe entende cada palavra, se você não é, por favor, dê um presente impagável à uma mãe que você conhece: leve as crianças para um passeio de algumas horas e a deixe ser um pouco mais humana, e menos super-heroína . Faça isso pelo mundo, faça isso por amor. Faça isso porque você também precisou de uma mãe que nunca teve férias de você.
Quando poderemos ver um filme romântico, ou de ação, ou de zumbi ou de exorcismo, ou qualquer coisa que não lembre Peppa Pig, Disney ou algo assim, sem nos preocupar com os pequenos que habitam o mesmo teto e que muitas vezes parecem desinteressados da TV ou Netflix, nas horas em que seria bem conveniente que eles se distraíssem com tais coisas, mas que, basta a mãe pensar em assistir algo, e lá vem eles, de olhinhos atentos formulando mil perguntas sobre o que estão fazendo as pessoas na tela?
Quando vamos poder dormir na nossa cama sem alguém subindo em nossas costas, ou nos chamando porque tem medo, ou dor de barriga, ou fome no meio da noite? Quando vamos nos aposentar do cargo de contadoras de historias e não mais ter que usar toda a criatividade e energia mental que nos restam no fim de mais um dia, inventando contos que prendam a atenção dos pequenos por alguns minutos, pois os 10.000 livros comprados já não tem graça?
Quando vamos poder usar o banheiro e tomar banho sem pensar no que pode estar acontecendo lá fora, ou sem a presença desnecessária de expectadores?
Isso tudo vai passar. A gente sabe disso. Um dia vamos poder nos sentar e ler um livro, e tomar chá, e comer tranquilamente e curtir o extasiante prazer do silencio . Mas por enquanto ainda estamos cansadas, ainda nos sentimos presas na rotina de fazer tudo pra todo mundo, e mesmo que a esperança consciente de que isso vai passar possa trazer um pouco de conforto e alivio nos momentos mais tensos, nós simplesmente ignoramos esse fato. Talvez por sabermos que a lembrança desses tempos cansativos vai virar saudade um dia, quando percebermos que as camas estão sempre arrumadas e o chão limpo, e ninguém te chama a cada 10 segundos, as risadas, gritos e o choro serão um eco distante, e a correria pela casa é só sombra na memoria. Talvez a gente prefira esquecer que eles crescem, por que isso doí demais.
Bem talvez nós não queiramos férias de verdade. Talvez queiramos apenas lembrar aos outros de que somos humanas e nos cansamos, e nos aborrecemos, e por vezes até nos desesperamos com tudo o que envolve o ser mãe.
Se você é mãe entende cada palavra, se você não é, por favor, dê um presente impagável à uma mãe que você conhece: leve as crianças para um passeio de algumas horas e a deixe ser um pouco mais humana, e menos super-heroína . Faça isso pelo mundo, faça isso por amor. Faça isso porque você também precisou de uma mãe que nunca teve férias de você.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Lugar de mãe é...
( ) em casa
( ) no trabalho
( ) na faculdade?!
Algumas pessoas diriam que todas as alternativas estão corretas, que o importante é que essa mãe se sinta bem. Mas eu acho que a coisa vai bem mais alem, até por que "sentir-se bem" é algo um bocado relativo, não acha? Você pode ter optado da maneira mais livre possível por ficar em casa cuidando da cria e realmente crer que essa é a melhor opção, que está fazendo o correto, mas nem de longe isso significa que você vai se sentir bem todos os dias. O mesmo vale para o trabalho: você pode amar seu trabalho, conseguir lidar tranquilamente com o malabarismo entre suas funções, e ainda (apostando mais alto) não sofrer de culpa alguma, mas isso não garante que ela ira se sentir bem o tempo todo, ou que nunca irá se questionar. Sobre a faculdade a ladainha continua, afinal, falando por mim mesma, que faço a faculdade que sempre sonhei, na certeza de que estou fazendo o correto, no momento apropriado e...adivinha? Não estou tão bem assim, afinal, como ficar bem no meio de um monte de gente mais nova, com rotinas, interesses e mentes tão diferentes da minha? é no minimo desconfortável.
Acontece que como já sabemos, não dá pra se limitar a viver apenas as coisas que te atraem, que te fazem bem, que te deixam confortável. Muitas vezes essa opção nos é negada, existem obrigações a serem cumpridas e nem sempre (ou quase nunca) será agradável cumprir.
É o caso da minha faculdade. Sim, eu tô amando, mas não estou numa situação invejável. Se eu quiser usar o computador tranquila pra estudar, ou ler as dezenas de coisas já acumuladas, preciso acordar as 5 h da manha, depois de ter saído da faculdade às 22:40, e de botar todas na cama (o que leva pelo menos 50 min). Entre uma coisa e outra tem a roupa pra lavar, dobrar, guardar, a comida, a louça, a casa, enfim...Alem da já citada sensação de ser um peixe fora da água. Ou seja: mães não frequentam a faculdade por prazer ou diversão. Se estão ali é porque precisam e porque merecem ocupar uma carteira, o estado civil ou a quantidade de filhos não são pré-requisitos para se formar.
Há alguns dias eu me deparei com essas duas matérias:
Uma aluna foi impedida de fazer uma prova na USP- leia aqui
Outra recebeu uma suspensão por entrar com a filha na faculdade!Leia aqui
(Coincidentemente o nome das duas é Aline!)
São dois casos diferentes mas que tratam do mesmo problema: dificuldades de mães universitárias.
Como sou as duas coisas (mãe/ universitária) o assunto me chamou atenção, e me lembrou de uma história que compartilhei no meu Face em maio desse ano (era meu terceiro mês na universidade, e o caso me comoveu tanto que chorei- e eu não sou chorona): A aluna leva o bebê para aula.O bebê começa a chorar. Ela se levanta para sair da sala. O professor pega o bebê no colo, o acalma e continua a aula. Aconteceu em Israel.
(Matéria completa aqui)
A filha desse professor disse algo que achei incrível :
"ele acredita que nenhuma mãe deve escolher entre a educação e a maternidade."
E por ai vemos que ele não é só um excelente professor, mas também é excelente pai, e me atreveria a dizer que uma é pessoa fantástica, mesmo sem conhecê-lo.
Eu não precisei levar minhas filhas para a aula. Ainda.
Mas eu as levei à uma palestra que marcou a aula inaugural do curso de pedagogia na UFLA, e mesmo que o Renato tenha as levado para fora, pra brincarem um pouco (afinal a palestra foi extensa demais, até para nós estudantes), no final elas foram respeitadas, meus professores as cumprimentaram e elogiaram, inclusive. Numa outra ocasião levei a Ana à um evento e também não tive problemas.
Se o mundo fosse um pouco mais justo, não teríamos esse tipo de problema. Mães são seres incríveis, sim, mas somos humanas! Podemos estar em qualquer lugar, lugar de mãe é onde ela quiser, e lugar de criança é perto da mãe, também!
( ) no trabalho
( ) na faculdade?!
Algumas pessoas diriam que todas as alternativas estão corretas, que o importante é que essa mãe se sinta bem. Mas eu acho que a coisa vai bem mais alem, até por que "sentir-se bem" é algo um bocado relativo, não acha? Você pode ter optado da maneira mais livre possível por ficar em casa cuidando da cria e realmente crer que essa é a melhor opção, que está fazendo o correto, mas nem de longe isso significa que você vai se sentir bem todos os dias. O mesmo vale para o trabalho: você pode amar seu trabalho, conseguir lidar tranquilamente com o malabarismo entre suas funções, e ainda (apostando mais alto) não sofrer de culpa alguma, mas isso não garante que ela ira se sentir bem o tempo todo, ou que nunca irá se questionar. Sobre a faculdade a ladainha continua, afinal, falando por mim mesma, que faço a faculdade que sempre sonhei, na certeza de que estou fazendo o correto, no momento apropriado e...adivinha? Não estou tão bem assim, afinal, como ficar bem no meio de um monte de gente mais nova, com rotinas, interesses e mentes tão diferentes da minha? é no minimo desconfortável.
Acontece que como já sabemos, não dá pra se limitar a viver apenas as coisas que te atraem, que te fazem bem, que te deixam confortável. Muitas vezes essa opção nos é negada, existem obrigações a serem cumpridas e nem sempre (ou quase nunca) será agradável cumprir.
É o caso da minha faculdade. Sim, eu tô amando, mas não estou numa situação invejável. Se eu quiser usar o computador tranquila pra estudar, ou ler as dezenas de coisas já acumuladas, preciso acordar as 5 h da manha, depois de ter saído da faculdade às 22:40, e de botar todas na cama (o que leva pelo menos 50 min). Entre uma coisa e outra tem a roupa pra lavar, dobrar, guardar, a comida, a louça, a casa, enfim...Alem da já citada sensação de ser um peixe fora da água. Ou seja: mães não frequentam a faculdade por prazer ou diversão. Se estão ali é porque precisam e porque merecem ocupar uma carteira, o estado civil ou a quantidade de filhos não são pré-requisitos para se formar.
Há alguns dias eu me deparei com essas duas matérias:
Uma aluna foi impedida de fazer uma prova na USP- leia aqui
Outra recebeu uma suspensão por entrar com a filha na faculdade!Leia aqui
(Coincidentemente o nome das duas é Aline!)
São dois casos diferentes mas que tratam do mesmo problema: dificuldades de mães universitárias.
Como sou as duas coisas (mãe/ universitária) o assunto me chamou atenção, e me lembrou de uma história que compartilhei no meu Face em maio desse ano (era meu terceiro mês na universidade, e o caso me comoveu tanto que chorei- e eu não sou chorona): A aluna leva o bebê para aula.O bebê começa a chorar. Ela se levanta para sair da sala. O professor pega o bebê no colo, o acalma e continua a aula. Aconteceu em Israel.
(Matéria completa aqui)
A filha desse professor disse algo que achei incrível :
"ele acredita que nenhuma mãe deve escolher entre a educação e a maternidade."
E por ai vemos que ele não é só um excelente professor, mas também é excelente pai, e me atreveria a dizer que uma é pessoa fantástica, mesmo sem conhecê-lo.
Eu não precisei levar minhas filhas para a aula. Ainda.
Mas eu as levei à uma palestra que marcou a aula inaugural do curso de pedagogia na UFLA, e mesmo que o Renato tenha as levado para fora, pra brincarem um pouco (afinal a palestra foi extensa demais, até para nós estudantes), no final elas foram respeitadas, meus professores as cumprimentaram e elogiaram, inclusive. Numa outra ocasião levei a Ana à um evento e também não tive problemas.
Se o mundo fosse um pouco mais justo, não teríamos esse tipo de problema. Mães são seres incríveis, sim, mas somos humanas! Podemos estar em qualquer lugar, lugar de mãe é onde ela quiser, e lugar de criança é perto da mãe, também!
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Doce Nome
Ás vezes dá preguiça de ir à igreja com criança, eu confesso. Na verdade não é só à Igreja, mas muitos lugares dão canseira quando você está com 3 crianças. E quando nos dispomos a levar à igreja nem sempre percebemos o valor que essa atitude tem, ou achamos que isso não vai fazer muita diferença.
Mas a fé não é hereditária, e se queremos transmiti-la aos nossos filhos, precisamos demonstrar a importância que a fé tem para nós, e ir à Igreja com eles faz parte disso (não é tudo, mas é importante).
Nesse domingo mesmo cansados depois da semana agitada, Renato e eu decidimos ir, afinal a Ana, que saiu do hospital na quinta era quem mais queria ir.
No louvor cantaram a música "Doce nome" da minha época de adolescente, mas que já nem me lembrava direito, não a cantava nem a ouvia há muito tempo.
Hoje peguei a Renata cantando essa música linda. Interessante que ela conseguiu pegar uma boa parte, mesmo ouvindo só uma vez, e a parte que ela cantava era
"Só de pronunciar o Teu nome, os meus medos se vão..."
A Renata está passando por um período muito difícil, está com muito medo. Disseram pra ela que uma van tem roubado crianças na saída da escola, e mesmo com nossos esforços para convencê-la de que isso é só um boato de internet, ela ainda estava tendo dificuldade para superar o medo, então foi uma grande alegria quando percebi que ela estava não apenas cantando a música do louvor, mas também estava sentindo em seu coração a certeza de que o doce nome de Jesus pode afastar todo o medo.
Nesse mundo terrível é difícil cultivar a fé, mas se nos propomos a isso, é certo que o Autor e Consumador dessa nossa Fé irá nos ajudar!
Mas a fé não é hereditária, e se queremos transmiti-la aos nossos filhos, precisamos demonstrar a importância que a fé tem para nós, e ir à Igreja com eles faz parte disso (não é tudo, mas é importante).
Nesse domingo mesmo cansados depois da semana agitada, Renato e eu decidimos ir, afinal a Ana, que saiu do hospital na quinta era quem mais queria ir.
No louvor cantaram a música "Doce nome" da minha época de adolescente, mas que já nem me lembrava direito, não a cantava nem a ouvia há muito tempo.
Hoje peguei a Renata cantando essa música linda. Interessante que ela conseguiu pegar uma boa parte, mesmo ouvindo só uma vez, e a parte que ela cantava era
"Só de pronunciar o Teu nome, os meus medos se vão..."
A Renata está passando por um período muito difícil, está com muito medo. Disseram pra ela que uma van tem roubado crianças na saída da escola, e mesmo com nossos esforços para convencê-la de que isso é só um boato de internet, ela ainda estava tendo dificuldade para superar o medo, então foi uma grande alegria quando percebi que ela estava não apenas cantando a música do louvor, mas também estava sentindo em seu coração a certeza de que o doce nome de Jesus pode afastar todo o medo.
Nesse mundo terrível é difícil cultivar a fé, mas se nos propomos a isso, é certo que o Autor e Consumador dessa nossa Fé irá nos ajudar!
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Juju e a apendicite
Quando nos tornamos mães, eu acho que o coração fica um pouco mais forte, caso o contrario eu não estaria aqui escrevendo, teria infartado no momento em que ouvi o cirurgião pronunciar as palavras "apêndice/ cirurgia (amanhã)/ anestesia geral".
Foi na terça, dia 22 de setembro. Mais um dia comum em que volto do trabalho pensando em como minhas meninas estariam voltando: Rafaela e Renata da escola e Ana Júlia da casa da minha tia, onde passara a tarde com minha mãe. Graças a Deus o avó pode pegá-las e trazer pra casa de carro, porque se você não sabe minha cidade é feita de escolas, ipês e morros.
Depois de me arrastar por quase uma hora, carregando junto com meu peso, todo o cansaço de mais um dia de trabalho, cheguei um pouco depois delas, que me esperavam na frente de casa. A avó comentou que a Ana estava com dor na barriga, mas até aí todos nós ainda acreditávamos que era por conta de uma batida que ela deu na quina do baú da casa dá vó no sábado, era um pouco estranho doer na terça porque no domingo fomos na roça, e ela nadou e aproveitou muito bem o dia, na segunda foi à escola e ao Taekwondo, e só se queixou a noite, mas pensei que foi a mistura da dor da pancada com o treino puxado que ela disse ter feito. Na terça pela manha ela reclamou de novo e eu comecei a ficar preocupada: agradeci a Deus quando a amiguinha que faz revesamento de carona com minha irmã disse que sua mãe a buscaria mais cedo, pois ela estava com febre e só iria fazer a prova. Decidi que a Ana voltaria mais cedo com ela. Durante o dia ela ainda se queixou, e ela não é disso. Podia ser só uma dorzinha no local que estava roxinho, mas (infelizmente) uma priminha do meu marido descobriu um tumor achando que era só uma pancada. Então achei sensato levá-la ao pronto atendimento, mesmo com pouca esperança de pedirem um raio-x, e achando que ia sair de lé apenas com uma prescrição para anti-inflamatório, gelo ou coisa do tipo. Estava em casa sozinha com as 3, e como minha habilitação ainda é um desejo na lista, esperei o Renato chegar. Enquanto isso tomei e dei banho nelas, depois deixei a Rafaela e a Renata vendo vídeo e deitei com a Ana, nós duas cochilamos, quando Renato chegou ela ainda dormia e eu quis deixar o hospital para a manha seguinte. Mas ele ficou preocupado, a acordamos e ele pediu que ela mostrasse onde doía. Era bem no local onde ela havia batido, mas esse também era o local do apêndice.
Logo o papai pensou em apendicite, e insistiu que deveríamos levá-la naquele instante. Ela odeia hospital, mas estava realmente com tanta dor, que só pediu pra ir logo, e pra levar a joaninha de pelúcia com a qual dorme desde os 5 anos. E foi assim que chegamos ao cirurgião, depois de esperar um bom tempo na recepção, passar pelo pediatra, colher sangue e urina, andar de cadeira de rodas pela primeira vez, e lacrimejar silenciosamente (partiu meu coração ver isso) nas vezes em que o pediatra, e depois o cirurgião apertaram a região do apêndice, o pai assinou os papeis da internação, depois ficou com ela enquanto eu ouvia e tentava não chorar com as palavras do médico. Anestesia geral pra mim era o pior de tudo. Indaguei sobre exame de risco cirúrgico, mas ele disse que criança não precisa. Me restou confiar que ficaria tudo bem, e segurar a mão da minha pequena enquanto encontravam uma veia pra botar o soro e o antibiótico. O médico não me deu hora certa pra opera-la pois o centro cirúrgico estaria bem cheio no dia seguinte, mas disse que seria pela manha.
Essa manha demorou passar. Orei com ela e expliquei o que era a cirurgia da maneira que consegui, tentando deixá-la tranquila. Ela não estava nervosa como um adulto ficaria, com medo do pior. Estava mais é com raiva daquilo tudo, principalmente de ficar presa ao soro e não poder ir pra casa.
Só nós duas e as enfermeiras estávamos no andar da pediatria, ela já estava entediada com a Tv, não podia comer, nem se livrar do soro. A levei pra dar uma volta até onde ficavam uns brinquedos, pegamos alguns e fomos para o quarto. Brincamos de chá.
Quando era quase 12h uma enfermeira trouxe a camisola que eu deveria por nela para a cirurgia. A tensão aumentou um pouco, mas tentei ficar calma e transmitir calma à ela, que era quem passaria pela pior parte afinal. Fiz uma trança em seu cabelo e lhe ofereci o batom pra passar. Tirei uma foto. Esperamos um pouco, e finalmente vieram. Ela havia me feito prometer que ficaria com ela o tempo todo, mas como sabia que isso não seria possível prometi que ficaria até onde permitissem, e foi até a porta do centro cirurgico. Me despedi dela com uma abraço e pedi que ela fosse corajosa, mas quando ela olhou pra trás tentando segurar o choro eu desmontei, e fui pro quarto chorar cheirando o vestido que ela usou no dia anterior. Chorei, orei, troquei mensagens com o marido, parentes e amiga- essa ultima orou comigo via whatsapp e consegui me manter um pouco mais calma, até não aguentar e ir pedir informações para a enfermeira. As da pediatria não podiam ajudar muito, em compensação uma das do centro cirúrgico manteve uma porta aberta de forma que eu conseguia ver uma parte da sala de cirurgia (uma porta de vidro ainda estava fechada) não dava pra ver a Ana, mas consegui ver o movimento de médicos e enfermeiras e me assegurei de que estava tudo bem. Algumas enfermeiras vieram me dizer que estava quase terminando. Durou uma hora, mas foi uma das piores horas da minha vida. O médico saiu e antes de entrar no elevador me disse que a cirurgia foi tranquila, o apêndice, como ele já havia dito não estava sulfurado, mas ela ainda levaria mais ou menos 1 hora pra voltar da anestesia e só aí iria voltar pro quarto. O Renato chegou as 13h, e as 13:30h a minha sogra, e a Ana veio pro quarto só as 14:30. Ela ainda dormiu o dia todo. Só acordou de verdade a noite quando médico e as duas tias foram vê-la.
Na quinta de manha a melhor noticia: Alta! Mal pude acreditar, eu até não me importo tanto o clima de hospital, mas a Ana estava aflita pra ir embora e se livrar do cateter, do soro e da Tv que tinha todos os canais de desenho, mas não tinha controle.
Ficamos na minha sogra até o sábado. Precisei trabalhar sábado, e hoje também. Mas hoje é o ultimo dia do meu período de experiencia na empresa, e eu pedi demissão, e essa cirurgia da Ana foi apenas a gota que faltava, eu já não estava satisfeita. Não quero me sentir dividida: quando estou com minhas filhas, penso no trabalho, quando estou no trabalho, penso nelas. Quero ser inteira. E já me decidi que a partir de agora trabalho, remunerado ou não, só de casa.
Foi uma decisão extrema, mas eu fico em paz, sei Quem cuida de mim.
Foi na terça, dia 22 de setembro. Mais um dia comum em que volto do trabalho pensando em como minhas meninas estariam voltando: Rafaela e Renata da escola e Ana Júlia da casa da minha tia, onde passara a tarde com minha mãe. Graças a Deus o avó pode pegá-las e trazer pra casa de carro, porque se você não sabe minha cidade é feita de escolas, ipês e morros.
Depois de me arrastar por quase uma hora, carregando junto com meu peso, todo o cansaço de mais um dia de trabalho, cheguei um pouco depois delas, que me esperavam na frente de casa. A avó comentou que a Ana estava com dor na barriga, mas até aí todos nós ainda acreditávamos que era por conta de uma batida que ela deu na quina do baú da casa dá vó no sábado, era um pouco estranho doer na terça porque no domingo fomos na roça, e ela nadou e aproveitou muito bem o dia, na segunda foi à escola e ao Taekwondo, e só se queixou a noite, mas pensei que foi a mistura da dor da pancada com o treino puxado que ela disse ter feito. Na terça pela manha ela reclamou de novo e eu comecei a ficar preocupada: agradeci a Deus quando a amiguinha que faz revesamento de carona com minha irmã disse que sua mãe a buscaria mais cedo, pois ela estava com febre e só iria fazer a prova. Decidi que a Ana voltaria mais cedo com ela. Durante o dia ela ainda se queixou, e ela não é disso. Podia ser só uma dorzinha no local que estava roxinho, mas (infelizmente) uma priminha do meu marido descobriu um tumor achando que era só uma pancada. Então achei sensato levá-la ao pronto atendimento, mesmo com pouca esperança de pedirem um raio-x, e achando que ia sair de lé apenas com uma prescrição para anti-inflamatório, gelo ou coisa do tipo. Estava em casa sozinha com as 3, e como minha habilitação ainda é um desejo na lista, esperei o Renato chegar. Enquanto isso tomei e dei banho nelas, depois deixei a Rafaela e a Renata vendo vídeo e deitei com a Ana, nós duas cochilamos, quando Renato chegou ela ainda dormia e eu quis deixar o hospital para a manha seguinte. Mas ele ficou preocupado, a acordamos e ele pediu que ela mostrasse onde doía. Era bem no local onde ela havia batido, mas esse também era o local do apêndice.
Logo o papai pensou em apendicite, e insistiu que deveríamos levá-la naquele instante. Ela odeia hospital, mas estava realmente com tanta dor, que só pediu pra ir logo, e pra levar a joaninha de pelúcia com a qual dorme desde os 5 anos. E foi assim que chegamos ao cirurgião, depois de esperar um bom tempo na recepção, passar pelo pediatra, colher sangue e urina, andar de cadeira de rodas pela primeira vez, e lacrimejar silenciosamente (partiu meu coração ver isso) nas vezes em que o pediatra, e depois o cirurgião apertaram a região do apêndice, o pai assinou os papeis da internação, depois ficou com ela enquanto eu ouvia e tentava não chorar com as palavras do médico. Anestesia geral pra mim era o pior de tudo. Indaguei sobre exame de risco cirúrgico, mas ele disse que criança não precisa. Me restou confiar que ficaria tudo bem, e segurar a mão da minha pequena enquanto encontravam uma veia pra botar o soro e o antibiótico. O médico não me deu hora certa pra opera-la pois o centro cirúrgico estaria bem cheio no dia seguinte, mas disse que seria pela manha.
Essa manha demorou passar. Orei com ela e expliquei o que era a cirurgia da maneira que consegui, tentando deixá-la tranquila. Ela não estava nervosa como um adulto ficaria, com medo do pior. Estava mais é com raiva daquilo tudo, principalmente de ficar presa ao soro e não poder ir pra casa.
Só nós duas e as enfermeiras estávamos no andar da pediatria, ela já estava entediada com a Tv, não podia comer, nem se livrar do soro. A levei pra dar uma volta até onde ficavam uns brinquedos, pegamos alguns e fomos para o quarto. Brincamos de chá.
Quando era quase 12h uma enfermeira trouxe a camisola que eu deveria por nela para a cirurgia. A tensão aumentou um pouco, mas tentei ficar calma e transmitir calma à ela, que era quem passaria pela pior parte afinal. Fiz uma trança em seu cabelo e lhe ofereci o batom pra passar. Tirei uma foto. Esperamos um pouco, e finalmente vieram. Ela havia me feito prometer que ficaria com ela o tempo todo, mas como sabia que isso não seria possível prometi que ficaria até onde permitissem, e foi até a porta do centro cirurgico. Me despedi dela com uma abraço e pedi que ela fosse corajosa, mas quando ela olhou pra trás tentando segurar o choro eu desmontei, e fui pro quarto chorar cheirando o vestido que ela usou no dia anterior. Chorei, orei, troquei mensagens com o marido, parentes e amiga- essa ultima orou comigo via whatsapp e consegui me manter um pouco mais calma, até não aguentar e ir pedir informações para a enfermeira. As da pediatria não podiam ajudar muito, em compensação uma das do centro cirúrgico manteve uma porta aberta de forma que eu conseguia ver uma parte da sala de cirurgia (uma porta de vidro ainda estava fechada) não dava pra ver a Ana, mas consegui ver o movimento de médicos e enfermeiras e me assegurei de que estava tudo bem. Algumas enfermeiras vieram me dizer que estava quase terminando. Durou uma hora, mas foi uma das piores horas da minha vida. O médico saiu e antes de entrar no elevador me disse que a cirurgia foi tranquila, o apêndice, como ele já havia dito não estava sulfurado, mas ela ainda levaria mais ou menos 1 hora pra voltar da anestesia e só aí iria voltar pro quarto. O Renato chegou as 13h, e as 13:30h a minha sogra, e a Ana veio pro quarto só as 14:30. Ela ainda dormiu o dia todo. Só acordou de verdade a noite quando médico e as duas tias foram vê-la.
Na quinta de manha a melhor noticia: Alta! Mal pude acreditar, eu até não me importo tanto o clima de hospital, mas a Ana estava aflita pra ir embora e se livrar do cateter, do soro e da Tv que tinha todos os canais de desenho, mas não tinha controle.
Ficamos na minha sogra até o sábado. Precisei trabalhar sábado, e hoje também. Mas hoje é o ultimo dia do meu período de experiencia na empresa, e eu pedi demissão, e essa cirurgia da Ana foi apenas a gota que faltava, eu já não estava satisfeita. Não quero me sentir dividida: quando estou com minhas filhas, penso no trabalho, quando estou no trabalho, penso nelas. Quero ser inteira. E já me decidi que a partir de agora trabalho, remunerado ou não, só de casa.
Foi uma decisão extrema, mas eu fico em paz, sei Quem cuida de mim.
"Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. "
1 Pedro 5:7
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Bailando!
Esse tem sido um ano difícil pra mim.
Não dá pra contar tudo o que tem me chateado, mas tem a ver com aquela história de sair da zona de conforto. "Sair da zona de conforto", é uma coisa bonitinha e fácil de falar. Na prática é uma coisa cinza, custosa que tem me deixado à beira da depressão. Não é falta de vontade de sair, ou melhor dizendo, de continuar aqui fora dela. Mas às vezes bate um desespero terrível, e a vontade que tenho é sim de voltar atras, até aquele ponto onde eu sequer me questionava se estava mesmo na bendita zona de conforto, ou se algum dia eu iria/poderia/deveria sair dela.
O comum é pensar na zona de conforto como uma situação à qual estamos acostumados, na qual nos sentimos seguros. No meu caso a zona de conforto tem mais à ver com um lugar físico mesmo: meu lar, doce, querido, e confortável lar. Sim, eu me lembro que lá também haviam gritos, bagunça, trabalho demais no que diz respeito ao espaço físico, e no emocional haviam dúvidas, anseios, preocupações. Mas era minha zona de conforto, com todos os seus defeitos e qualidades. Uma psicologa conhecida nossa me ajudou a 'esclarecer as ideias' sobre a dor que eu estava passando nessa saída: Acabei por me deparar com a realidade, acabei por me dar conta de que fui mãe nova demais, que pulei fases, e que não passei pelo luto necessário nesse período. Alem é claro de encarar esse mundo louco, outra vez. Eu me lembro que sofria na escola também. Tenho uma alma extremamente sensível (coisa de poetisa?), que tenta a todo custo ver o mundo com óculos cor de rosa, então, quando eu era obrigada a enxergar as cores reais eu sofria. Sofria por saber que amigos da minha idade usavam droga ou bebiam demais. Sofria pelo deboche, pelos sentimentos ruins que tanta gente nutria. Pelos escândalos, pelas guerras que já aconteceram, que acontecem e pelas que temo acontecer, enfim por toda maldade e tristeza que há. Sempre senti que era forte, ou quis me sentir assim, mas a verdade é que não sou, a verdade é que lá dentro ainda sou criança e não tenho a capacidade de assimilar essa loucura toda que é a vida. Mas vou tentando. Ainda preciso de ajuda, e minhas filhas também porque é claro, elas são afetadas de uma maneira ou de outra pelo estado de espirito da mãe delas.
Foi assim que decidimos buscar ajuda. Procuramos por psicólogos: dois. Infelizmente a que nos é conhecida não atende nosso plano de saúde, então encontrei uma para Ana Julia e um para a Renata. Estávamos indo bem, mas acredite: Onde pensei que encontraria um pouco de compaixão e apoio, encontrei intolerância, e descobri que psicólogos também podem ser bastante impacientes, como todo mundo: não aceitam faltas ou atrasos, mas faltam e atrasam sem aviso quando convém, e isso me deixa ainda mais desanimada!
Mas, quero continuar em frente. Um pouco de tristeza às vezes faz bem. Nos ajuda a repensar a vida, nos ajuda a sermos melhores, no meu caso tem me ajudado a ser mais tolerante, mais paciente, a desejar ajudar o outro a carregar um pouquinho do seu fardo, pois todos nós temos um. E a fazer escolhas melhores. A ter mais compaixão, mais carinho com quem está ao meu redor, afinal todos nós temos uma luta a travar, e o que menos precisamos é de julgamento e intolerância.
Vi essa imagem um dia desses e achei incrível. Essa frase define precisamente o que tenho sentido:
Não dá pra contar tudo o que tem me chateado, mas tem a ver com aquela história de sair da zona de conforto. "Sair da zona de conforto", é uma coisa bonitinha e fácil de falar. Na prática é uma coisa cinza, custosa que tem me deixado à beira da depressão. Não é falta de vontade de sair, ou melhor dizendo, de continuar aqui fora dela. Mas às vezes bate um desespero terrível, e a vontade que tenho é sim de voltar atras, até aquele ponto onde eu sequer me questionava se estava mesmo na bendita zona de conforto, ou se algum dia eu iria/poderia/deveria sair dela.
O comum é pensar na zona de conforto como uma situação à qual estamos acostumados, na qual nos sentimos seguros. No meu caso a zona de conforto tem mais à ver com um lugar físico mesmo: meu lar, doce, querido, e confortável lar. Sim, eu me lembro que lá também haviam gritos, bagunça, trabalho demais no que diz respeito ao espaço físico, e no emocional haviam dúvidas, anseios, preocupações. Mas era minha zona de conforto, com todos os seus defeitos e qualidades. Uma psicologa conhecida nossa me ajudou a 'esclarecer as ideias' sobre a dor que eu estava passando nessa saída: Acabei por me deparar com a realidade, acabei por me dar conta de que fui mãe nova demais, que pulei fases, e que não passei pelo luto necessário nesse período. Alem é claro de encarar esse mundo louco, outra vez. Eu me lembro que sofria na escola também. Tenho uma alma extremamente sensível (coisa de poetisa?), que tenta a todo custo ver o mundo com óculos cor de rosa, então, quando eu era obrigada a enxergar as cores reais eu sofria. Sofria por saber que amigos da minha idade usavam droga ou bebiam demais. Sofria pelo deboche, pelos sentimentos ruins que tanta gente nutria. Pelos escândalos, pelas guerras que já aconteceram, que acontecem e pelas que temo acontecer, enfim por toda maldade e tristeza que há. Sempre senti que era forte, ou quis me sentir assim, mas a verdade é que não sou, a verdade é que lá dentro ainda sou criança e não tenho a capacidade de assimilar essa loucura toda que é a vida. Mas vou tentando. Ainda preciso de ajuda, e minhas filhas também porque é claro, elas são afetadas de uma maneira ou de outra pelo estado de espirito da mãe delas.
Foi assim que decidimos buscar ajuda. Procuramos por psicólogos: dois. Infelizmente a que nos é conhecida não atende nosso plano de saúde, então encontrei uma para Ana Julia e um para a Renata. Estávamos indo bem, mas acredite: Onde pensei que encontraria um pouco de compaixão e apoio, encontrei intolerância, e descobri que psicólogos também podem ser bastante impacientes, como todo mundo: não aceitam faltas ou atrasos, mas faltam e atrasam sem aviso quando convém, e isso me deixa ainda mais desanimada!
Mas, quero continuar em frente. Um pouco de tristeza às vezes faz bem. Nos ajuda a repensar a vida, nos ajuda a sermos melhores, no meu caso tem me ajudado a ser mais tolerante, mais paciente, a desejar ajudar o outro a carregar um pouquinho do seu fardo, pois todos nós temos um. E a fazer escolhas melhores. A ter mais compaixão, mais carinho com quem está ao meu redor, afinal todos nós temos uma luta a travar, e o que menos precisamos é de julgamento e intolerância.
Vi essa imagem um dia desses e achei incrível. Essa frase define precisamente o que tenho sentido:
"A vida não é a festa que havíamos imaginado, mas já que estamos aqui, dancemos!"
Me lembrou uma coisa que minha mãe sempre dizia: "Tem que dançar conforme a música."
Tô aprendendo, mãe, tô aprendendo!
quinta-feira, 18 de junho de 2015
O tema da redação do ENEM e os vlogs dessa vida
Eu sei que tô sumida do blog, mas tenho bons motivos. Não vou enumera-los, pois isso seria um atraso e quero muito terminar esse post "numa sentada" porque você sabe, tem muita coisa pra fazer.
O que aconteceu em minha vida mais recentemente é que apliquei no SISU novamente, para vagas no segundo semestre e fui selecionada para me matricular no curso de Letras, na UFLA mesmo, onde estive cursando pedagogia até aqui. Vários motivos me levaram a tomar a decisão de mudar de curso, mas resumindo: eu não me vejo dando aula pra crianças até o 5° ano, pra ser bem sincera não me vejo dando aulas, mas posso mudar de ideia, afinal isso aí é comigo mesmo. Enfim, não vim falar sobre faculdade (mas eu odeio histórias pela metade, então se interessar a alguém eu conto essa inteirinha depois).
Estou partindo daí porque o que realmente fez minha nota do ENEM ser suficiente para me fazer ingressar numa Federal foi a redação. Eu sempre gostei de escrever e me viro bem com isso, apesar de odiar o fato de ter um tema preestabelecido a ser tratado, eu não havia estudado quase nada então fiquei um pouco tensa quanto ao tema. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com um assunto sobre o qual já havia lido (mesmo que pouco) e que estava muito próximo da minha realidade como mãe: Publicidade infantil em questão no Brasil. Wow! Depois que vi o tema e li rapidamente os dados para orientação, surgiu outro grande problema que sempre tenho para escrever: limitação de linhas! Eu poderia ter escrito umas 4 páginas sobre o assunto.
Comecei falando sobre a expansão e a influencia da mídia nos nossos dias. Falei do fato de a educação das crianças ser de responsabilidade também da sociedade e do Estado, não apenas da família. Isso em tese, a prática, infelizmente é outra. Considerei que a proibição de publicidade direcionada às crianças (que, para alguns, são pessoas em formação, desprovidas de senso critico) talvez seja algo paliativo, visto que essas crianças crescerão, quando adultas serão alcançadas pela mídia, e aí, finalmente as orientações que recebeu serão postas em cheque. Argumentei, por fim, que em vista de tudo isso o mais indicado, proibições a parte, seria que nós como pais e responsáveis diretos pela formação das crianças, os ajudemos à tornarem-se pessoas críticas e inteligentes para que saibam, entre outas coisas o que comprar ou não, porque e como comprar. Enfim, que formemos a base para um cidadão e consumidor consciente, e que façamos isso desde já, usando a publicidade, que até agora não foi vetada, como assunto para conversas sérias e claras, afinal as crianças tem sim o potencial para decidir e se posicionar.
Como disse o assunto é polemico. É sério, importante e não devemos ignora-lo. Por isso desde que fiz o ENEM tenho pensado em escrever sobre isso aqui, embora eu não seja a maior conhecedora do assunto. Decidi escrever agora porque nos últimos dias algo que as meninas estavam vendo no YouTube me chamou a atenção: Vlogs de crianças, as vezes adultos, fazendo reviews de brinquedos.
Me impressiona:
A- A quantidade de brinquedos que uma criança acumula quando "trabalha" com isso,
B- A quantidade de visualizações e seguidores inscritos nos canais, que tratam quase exclusivamente disso (brinquedos)
C- A capacidade que esses videos têm de prender a atenção das crianças, e é claro, depois de algum tempo observa-se também a capacidade de persuasão dos mesmos, leia-se: a criança vai atormentar sua vida até que ganhe o tal brinquedo. Ouvi outro dia numa palestra o seguinte: talvez a criança nem imagina que tal produto exista, mas a partir do momento que o viu já não pode viver sem!
O pior é que as vezes, na correria e na canseira do dia-dia, acabamos caindo na tentação de deixar que as crianças passem horas hipnotizadas na frente do computador vendo esse tipo de coisa, apenas para termos um pouco de sossego. Falo por experiencia própria, e me desculpava dizendo a mim mesma que elas deveriam ter o direito de escolher desde que não estivessem assistindo nada proibido, com imoralidade ou coisa parecida. Mas pensando melhor, me confrontei com a ideia de que e melhor rever o conceito de imoral. Alias, o que é moral? Uma definição que achei bacana diz que:
"Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade."
Para o meu padrão, esse tipo de apelo ao consumismo não moral. Ontem eu dei um basta nessa mania das meninas e conversei sobre o que isso acrescenta na vida delas... fiz umas perguntinhas simples como: Será que isso ensina algo? Te deixa mais inteligente? Te faz querer ajudar alguém?
É bom para pra pensar e pra fazer seus filhos pensarem também, não apenas "engolir" o que está vendo sem se dar conta de onde isso pode parar.
O que aconteceu em minha vida mais recentemente é que apliquei no SISU novamente, para vagas no segundo semestre e fui selecionada para me matricular no curso de Letras, na UFLA mesmo, onde estive cursando pedagogia até aqui. Vários motivos me levaram a tomar a decisão de mudar de curso, mas resumindo: eu não me vejo dando aula pra crianças até o 5° ano, pra ser bem sincera não me vejo dando aulas, mas posso mudar de ideia, afinal isso aí é comigo mesmo. Enfim, não vim falar sobre faculdade (mas eu odeio histórias pela metade, então se interessar a alguém eu conto essa inteirinha depois).
Estou partindo daí porque o que realmente fez minha nota do ENEM ser suficiente para me fazer ingressar numa Federal foi a redação. Eu sempre gostei de escrever e me viro bem com isso, apesar de odiar o fato de ter um tema preestabelecido a ser tratado, eu não havia estudado quase nada então fiquei um pouco tensa quanto ao tema. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com um assunto sobre o qual já havia lido (mesmo que pouco) e que estava muito próximo da minha realidade como mãe: Publicidade infantil em questão no Brasil. Wow! Depois que vi o tema e li rapidamente os dados para orientação, surgiu outro grande problema que sempre tenho para escrever: limitação de linhas! Eu poderia ter escrito umas 4 páginas sobre o assunto.
Comecei falando sobre a expansão e a influencia da mídia nos nossos dias. Falei do fato de a educação das crianças ser de responsabilidade também da sociedade e do Estado, não apenas da família. Isso em tese, a prática, infelizmente é outra. Considerei que a proibição de publicidade direcionada às crianças (que, para alguns, são pessoas em formação, desprovidas de senso critico) talvez seja algo paliativo, visto que essas crianças crescerão, quando adultas serão alcançadas pela mídia, e aí, finalmente as orientações que recebeu serão postas em cheque. Argumentei, por fim, que em vista de tudo isso o mais indicado, proibições a parte, seria que nós como pais e responsáveis diretos pela formação das crianças, os ajudemos à tornarem-se pessoas críticas e inteligentes para que saibam, entre outas coisas o que comprar ou não, porque e como comprar. Enfim, que formemos a base para um cidadão e consumidor consciente, e que façamos isso desde já, usando a publicidade, que até agora não foi vetada, como assunto para conversas sérias e claras, afinal as crianças tem sim o potencial para decidir e se posicionar.
Como disse o assunto é polemico. É sério, importante e não devemos ignora-lo. Por isso desde que fiz o ENEM tenho pensado em escrever sobre isso aqui, embora eu não seja a maior conhecedora do assunto. Decidi escrever agora porque nos últimos dias algo que as meninas estavam vendo no YouTube me chamou a atenção: Vlogs de crianças, as vezes adultos, fazendo reviews de brinquedos.
Me impressiona:
A- A quantidade de brinquedos que uma criança acumula quando "trabalha" com isso,
B- A quantidade de visualizações e seguidores inscritos nos canais, que tratam quase exclusivamente disso (brinquedos)
C- A capacidade que esses videos têm de prender a atenção das crianças, e é claro, depois de algum tempo observa-se também a capacidade de persuasão dos mesmos, leia-se: a criança vai atormentar sua vida até que ganhe o tal brinquedo. Ouvi outro dia numa palestra o seguinte: talvez a criança nem imagina que tal produto exista, mas a partir do momento que o viu já não pode viver sem!
O pior é que as vezes, na correria e na canseira do dia-dia, acabamos caindo na tentação de deixar que as crianças passem horas hipnotizadas na frente do computador vendo esse tipo de coisa, apenas para termos um pouco de sossego. Falo por experiencia própria, e me desculpava dizendo a mim mesma que elas deveriam ter o direito de escolher desde que não estivessem assistindo nada proibido, com imoralidade ou coisa parecida. Mas pensando melhor, me confrontei com a ideia de que e melhor rever o conceito de imoral. Alias, o que é moral? Uma definição que achei bacana diz que:
"Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade."
Para o meu padrão, esse tipo de apelo ao consumismo não moral. Ontem eu dei um basta nessa mania das meninas e conversei sobre o que isso acrescenta na vida delas... fiz umas perguntinhas simples como: Será que isso ensina algo? Te deixa mais inteligente? Te faz querer ajudar alguém?
É bom para pra pensar e pra fazer seus filhos pensarem também, não apenas "engolir" o que está vendo sem se dar conta de onde isso pode parar.
domingo, 10 de maio de 2015
Feliz dia das mães!
Feliz dia das mães.
Pra você que cresceu sonhando em ser mãe.
Que brincou de casinha com paninhos,
panelinhas e flores que sua mãe te emprestou.
Que sonhou em ter um bebê fofo como sua
boneca, e idealizou cada parte da maternidade.
Que fez planos, e se perguntava, aflita se
eles se realizariam. Que achava que a boneca tinha sentimentos, e que não podia
ficar no frio, senão adoecia.
Que enchia a barriga de ar e se imaginava
grávida. Que ficava encantada com os bebês que nasciam na vizinhança e não
perdia a oportunidade de tentar segurar um no colo.
Que acreditou por muito tempo que com os
filhos, as mulheres ganhavam também superpoderes.
Feliz dia das mães pra você que cresceu-
Finalmente!
E realizou seu grande sonho.
Talvez ele não tenha vindo conforme o
planejado. Talvez não tenha sido fácil engravidar. Talvez tenha sido impossível,
e você teve que buscar outra alternativa que te fizesse mãe. Talvez a gravidez
veio bem antes do planejado e te assustou. Talvez você tenha sido surpreendida
de várias formas- boas, ou nem tanto, nessa jornada materna: a vida tem dessas
coisas, e quando se é mãe elas simplesmente se multiplicam.
Talvez você tenha descoberto que bebês são
bem mais complexos que bonecas. Que trocar fraldas não é tão divertido, e
alimentar uma criança não é tão fácil assim.
A brincadeira de casinha virou trabalho
interminável e o sonho virou noite em claro.
Mesmo as bonecas que choravam tinham um
dispositivo que as desligava, mas bebês...não contam com botões nem manual, e
não há nada no mundo que te convença que eles vão crescer, e que cada fase, por
mais difícil que seja, vai passar.
Por outro lado, o amor e o carinho são tão enormes, tão gigantes
que jamais poderiam ser "treinados" em uma boneca.
E apesar dos tropeços do caminho, das
dificuldades, do tempo que corre (ao mesmo tempo que é lento demais), se você
parar pra sentir, vai perceber que a menina sonhadora que você foi ainda está
aí. E ela agora sorri. Ela não liga para o fato de nem tudo ter saído de acordo
com o planejado, ou por ninguém ter dito que seria assim tão difícil. Ela sorri
porque sabe que vai ficar tudo bem. Sorri porque no meio de todo o caos, há
sempre um sorriso doce, uma noite em que se dormiu bem, uma palavrinha errada,
ou uma frase inesperada que vai te fazer lembrar que a união de tudo isso- do
caos ao prazer, é que nos faz felizes. Há sempre um desenho, um beijo, um
abraço quente no meio da noite. Há sempre um tempinho pra brincar de novo de
casinha e trazer essa menina pra fora, pra que se delicie com a companhia(s) de
seus sonhos!
domingo, 3 de maio de 2015
O que se aprende em 10 anos de casamento
Em
outubro estaremos completando 10 anos casados. Isso é muita coisa!
Foram
altos e baixos nesse tempo, e estivemos juntos no riso e no choro, na fartura e na pindaíba,
nos dias tranquilos de férias, onde o bem estar predomina, e na recuperação das cesárias, nas otites, laringites, cistites,
sinusites. Na dengue, na depressão, nos dias de hospital, lágrimas e exames sem
fim com as meninas.
E daí que
mesmo não rejuvenescendo, e
sabendo que pela frente vem muito mais disso tudo, é uma grande alegria chegar
aqui, e o maior presente é a maturidade que se ganha.
Agora
olhando pra traz eu sei que muitas coisas eu teria feito diferente.
Algumas
são de aspecto pratico, concreto, outras mais
subjetivas. A começar pela cerimônia do casamento eu teria:
_Teimado
um pouco. O que isso significa? Bem quase tudo na cerimônia foi minha mãe que
decidiu. Exceto pelo vestido que parecia ter saído dos
meus sonhos direto pra loja, o resto teve mais da vontade dela do que da minha.
Na época não me importei nadinha, estava grávida, e ainda estudando, não estava
assim tão interessada naquela burocracia toda. Mas me arrependo por não ter
casado no gramado de casa, e não na igreja (ainda seria uma cerimônia
religiosa, é claro) E ando pensando seriamente em fazer a renovação dos votos
no gramado lá da roça onde minha mãe mora agora.
_Além disso teria incluído mais o Renato nos preparativos. Eu sei
que homem não se importa tanto com essas coisinhas, mas poxa, a cerimonia era
nossa, não era só minha, eu gostaria de voltar no tempo e tê-lo visto mais ativo nos
detalhes que fizeram a cerimonia.
Agora,
quanto ao casamento/ relacionamento em si, eu aprendi:
_A
respeitar mais seu espaço, seus gostos, seus hobbies. Precisei ter um pouco de
paciência, mas é essencial saber aceitar- isso nos primeiros momentos de
aprendizagem, depois você começa a demonstrar o mínimo de interesse, e quando
já está expert em relacionamentos saudáveis, você acaba entendendo que
acompanha-lo a um evento esportivo ou ouvir as músicas/assistir a um programa que
ele gosta não vai arrancar pedaço... Talvez arranque um sorriso!
_A
conversar quando fico nervosa. Claro que as vezes é preciso um pouco de
silencio, pra colocar a cabeça em ordem, mas a maioria das vezes conversar
ajuda a perceber nossos próprios sentimentos, e a rever a raiva (muitas vezes
descabida)
_ A pedir ajuda, e a aceitar ajuda. Parece fácil?
Pra mim não é. Adoro fazer tudo sozinha. Também aprendi a aceitar o fato de que
ele faz muitas coisas estereotipadas como “coisa de mulher” bem melhor que
eu. (cozinhar, inclusive) (e eu sei fazer umas coisinhas “de
homem” também, dia desses retirei o box do banheiro porque estava de saco
cheio dele.)
_Admitir o erro, e principalmente, me conformar que
nem sempre vamos concordar em tudo, e que isso pode ser bom.
_ Uma das
coisas mais importantes que ainda estou aprendendo é a ouvir. Ouvir
simplesmente por ouvir. As vezes ele não precisa da minha opinião, das minhas conclusões,
ponderações ou críticas. Apenas de alguém que ouça o que ele tem a dizer.
E assim sigo aprendendo. Feliz por estar crescendo a
cada dia,juntos!
domingo, 29 de março de 2015
Onde eu estava há um ano?
O Facebook agora tem um novo recurso: Se não entendi errado o nome é "Lembranças" e serve para mostrar, diariamente, o que você compartilhou há exatamente um ano. Eu amei. Eu gosto de histórias, de recordações, de memórias, por isso achei fantástico.
Hoje quando abri o Face e olhei minhas memórias, vi que há um ano eu compartilhei esse post aqui:Para onde você está indo?
Hoje quando abri o Face e olhei minhas memórias, vi que há um ano eu compartilhei esse post aqui:Para onde você está indo?
Interessante lembrar que eu não sabia mesmo o que exatamente eu queria da vida na época em que escrevi esse post, e hoje com a gratidão preenchendo meu coração, venho contar para os queridos que ainda leem esse blog que depois do ultimo post (esse aqui), deu tudo certo! Ou seja: consegui a nota necessária na ultima prova que fiz. Obtive meu diploma de Ensino Médio e agora SOU UNIVERSITÁRIA! Há quase um mês estou cursando Pedagogia. Apesar de ter ficado bem posicionada na lista de espera para Letras, eu perdi a chamada, mas acabei me sentindo grata por isso também. Estou simplesmente apaixonada pelo curso. Encantada, fascinada, sem palavras. E não é emoção por estar no começo, por que já vi que não vai ser fácil, já tive a primeira prova: e foi difícil!!! Mesmo assim eu estou animada, e sei que vou repetir essa palavra, mas ela realmente expressa o que estou sentindo agora; GRATA, muito muito grata pela oportunidade que estou tendo. Grata pelas pessoas especiais que Deus colocou ao meu lado e que me mantêm forte para vencer essa batalha, pela sabedoria que ele têm dado para caminhar essa jornada, e mais do que tudo, grata por ter aprendido a confiar no Senhor, e porque, quando fiz isso, me deparei com Sua infinita graça e misericórdia, que me acompanhou e me acompanha a cada dia.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
O moto-taxi e o autor da vida
Já se passaram 2 meses e 1 dia desde minha ultima postagem. Não gosto de me ausentar do blog por tanto tempo, mas tive bons motivos. Aconteceu muita coisa, mas em suma, o que praticamente mudou minha vida do avesso e justifica o frenesi que tenho vivido, é que fiz ENEM em 2014. Pois bem (já vi que não dá pra resumir muito, paciência) uma pessoa pode fazer o ENEM por dois motivos (creio eu) O primeiro é claro, é pra entrar numa universidade através do SISU, pra isso você precisa ter uma boa nota, especialmete se quer estudar numa universidade federal. A nota corte varia bastante de um curso para o outro. O segundo motivo é que, se você, como eu não concluiu o ensino médio por algum motivo (no meu caso, gravidez) você pode obter o certificado de ensino médio, para isso você precisa:
indicar a pretensão de utilizar os resultados de desempenho no exame para fins de certificação de conclusão do Ensino Médio, no ato da inscrição, bem como a Instituição Certificadora;
possuir no mínimo 18 (dezoito) anos completos na data da primeira prova de cada edição do exame;
atingir o mínimo de 450 (quatrocentos e cinquenta) pontos em cada uma das áreas de conhecimento do exame;
atingir o mínimo de 500 (quinhentos) pontos na redação.
(Fonte: Inep)
Acontece que fiz o Enem pelo motivo 2 (obter certificado do ensino médio) e apenas por isso. Como foi a primeira vez que fiz Enem,e faz muito tempo que não estudo (e eu nem me preparei) e todo mundo fala sobre como é difícil, eu tinha alguma esperança de conseguir meu objetivo, mas não muita. E não me importaria se não desse certo, eu poderia fazer novamente esse ano, e mais tarde eu tentaria o vestibular numa universidade à distancia.
Fiz 800 pontos na redação e consegui mais de 450 em todas as áreas, exceto matemática (fiz 408 nessa ) quando vi minha nota, quase não acreditei. No fim o saldo foi positivo, e nada mudaria...isso é, se minha irmã não insistisse que mesmo assim, eu me inscrevesse no SISU. Dai que fiz a inscrissão. Pra Letras e Pedagogia, aqui mesmo na UFLA. Fiquei na lista de espera para Letras, mas fui chamada para Pedagogia.Wow!
Não é muita ironia? Fiz o Enem pelo (singelo) primeiro motivo, e o que consegui foi o segundo! Pesquisei um pouco, e pra conseguir obter o certificado de ensino médio e assim efetivar minha matrica eu precisava só fazer uma prova de matematica numa outra cidade aqui perto. Só! hum...essa prova me rendeu muita dor de cabeça e 3 idas a tal cidade. Nas duas primeiras o Renato me levou. Já ontem, na terceira ida, ele estava trabalhando e eu tive que ir sozinha, de onibus (não tenho habilitação). Perdi o onibus por poucos segundos na rodoviaria daqui. A moça da empresa me disse que ele pararia em outra cidade, e eu poderia tentar pegá-lo lá. Peguei um circular até a outra tal cidade. E lá fui eu atras do onibus. E, perdi de novo, por alguns minutos. Restou esperar o próximo e torcer pra conseguir chegar a cidade final a tempo de fazer a prova (a rodoviaria fica bem longe do local). Esperei, lanchei, estudei um pouco mais. O onibus veio, cheguei a cidade, consegui pegar uma lotação, e apesar de parar no ponto errado (muito errado!) cheguei adiantada! Fiz a prova. Estava muito mais dificil que as duas anteriores. Depois de tanto estrese minha cabeça não suportoou, e terminei de fazer a prova em lagrimas. Pedi encarecidamente que a pessoa que aplicava a prova me desse o resultado (só tenho até segunda pra resolver a pendencia na minha matricula) Depois de alguns minutos ela me deu a noticia: 20 pontos. E eu precisava de 22 . Liberei umas lagrimas que estão guardadas a um tempão. Chorei, chorei e chorei. Conversei um pouco. Ela disse pra eu não desitir e tentar novamente no dia seguinte (hoje) expliquei que é dificil me deslocar assim, que tenho 3 filhas e essa prova acaba tomando muito tempo, e que sinceramente não aguentava mais estudar matematica. Saí um pouco, respirei, e voltei. Eu sabia que uma nova turma faria a prova as18h, e pedi a ela que me dixasse tentar, mesmo que isso me custasse perder o ultimo onibus de volta (18:30h) Ela teve pena e me deixou começar outra prova quase que imediatamente (eram umas 16h). Fiz a tal prova, e saí, sem o resultado, meio desesperada pra pegar o onibus. Pedi informa~ção sobre a lotação pra um funcionario da escola, e ele prontamente se ofereceu pra chamar um mototaxi que me levaria rapidinho até a rodoviaria. Aceitei, movida pela pressa, mas a verdade é que eu detesto moto. Acho muito perigoso e estar quilos e quilos acima do peso não ajuda em nada. Estar na garupa de um desconhecido é ainda menos conveniente. Subi morrendo de medo. Capacete desconfortável. Situação desconfortável. Trânsito meio louco. Tempestade vindo.Diante da cena, decidi me aclamar pensando: "Ele trabalha com isso, ele tem experienecia, eu estou segura." Em seguida olhei pro céu, quase orando, rogando misericórdia. E quando o fiz, foi como ouvir a vóz de Deus, claramente. Não esrondosa, como um trovão. Mas como um amigo, falando baixinho "Você pode confiar sua vida ao mototaxista por que ele tem alguma experiência, e quanto a Mim? Eu fundei o universo, você não poderia confiar sua vida a mim? Acredite, eu tenho experiencia!"
E eu..apenas me calei. Calei minha duvidas, minha ansiedade, meus medos. Ele é Deus! Eu posso confiar! Ele tem experiência em cuidar de pesoas. Sim, ele cuida de nós, desde Adão e Eva!
Assinar:
Postagens (Atom)