Não dá pra contar tudo o que tem me chateado, mas tem a ver com aquela história de sair da zona de conforto. "Sair da zona de conforto", é uma coisa bonitinha e fácil de falar. Na prática é uma coisa cinza, custosa que tem me deixado à beira da depressão. Não é falta de vontade de sair, ou melhor dizendo, de continuar aqui fora dela. Mas às vezes bate um desespero terrível, e a vontade que tenho é sim de voltar atras, até aquele ponto onde eu sequer me questionava se estava mesmo na bendita zona de conforto, ou se algum dia eu iria/poderia/deveria sair dela.
O comum é pensar na zona de conforto como uma situação à qual estamos acostumados, na qual nos sentimos seguros. No meu caso a zona de conforto tem mais à ver com um lugar físico mesmo: meu lar, doce, querido, e confortável lar. Sim, eu me lembro que lá também haviam gritos, bagunça, trabalho demais no que diz respeito ao espaço físico, e no emocional haviam dúvidas, anseios, preocupações. Mas era minha zona de conforto, com todos os seus defeitos e qualidades. Uma psicologa conhecida nossa me ajudou a 'esclarecer as ideias' sobre a dor que eu estava passando nessa saída: Acabei por me deparar com a realidade, acabei por me dar conta de que fui mãe nova demais, que pulei fases, e que não passei pelo luto necessário nesse período. Alem é claro de encarar esse mundo louco, outra vez. Eu me lembro que sofria na escola também. Tenho uma alma extremamente sensível (coisa de poetisa?), que tenta a todo custo ver o mundo com óculos cor de rosa, então, quando eu era obrigada a enxergar as cores reais eu sofria. Sofria por saber que amigos da minha idade usavam droga ou bebiam demais. Sofria pelo deboche, pelos sentimentos ruins que tanta gente nutria. Pelos escândalos, pelas guerras que já aconteceram, que acontecem e pelas que temo acontecer, enfim por toda maldade e tristeza que há. Sempre senti que era forte, ou quis me sentir assim, mas a verdade é que não sou, a verdade é que lá dentro ainda sou criança e não tenho a capacidade de assimilar essa loucura toda que é a vida. Mas vou tentando. Ainda preciso de ajuda, e minhas filhas também porque é claro, elas são afetadas de uma maneira ou de outra pelo estado de espirito da mãe delas.
Foi assim que decidimos buscar ajuda. Procuramos por psicólogos: dois. Infelizmente a que nos é conhecida não atende nosso plano de saúde, então encontrei uma para Ana Julia e um para a Renata. Estávamos indo bem, mas acredite: Onde pensei que encontraria um pouco de compaixão e apoio, encontrei intolerância, e descobri que psicólogos também podem ser bastante impacientes, como todo mundo: não aceitam faltas ou atrasos, mas faltam e atrasam sem aviso quando convém, e isso me deixa ainda mais desanimada!
Mas, quero continuar em frente. Um pouco de tristeza às vezes faz bem. Nos ajuda a repensar a vida, nos ajuda a sermos melhores, no meu caso tem me ajudado a ser mais tolerante, mais paciente, a desejar ajudar o outro a carregar um pouquinho do seu fardo, pois todos nós temos um. E a fazer escolhas melhores. A ter mais compaixão, mais carinho com quem está ao meu redor, afinal todos nós temos uma luta a travar, e o que menos precisamos é de julgamento e intolerância.
Vi essa imagem um dia desses e achei incrível. Essa frase define precisamente o que tenho sentido:
"A vida não é a festa que havíamos imaginado, mas já que estamos aqui, dancemos!"
Me lembrou uma coisa que minha mãe sempre dizia: "Tem que dançar conforme a música."
Tô aprendendo, mãe, tô aprendendo!