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"...porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."Josué 24:15

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Filho, o que você quer aprender hoje? _A Educação em Casa e o martelo do Thor

Decidi compartilhar aqui uma história que me inspirou muito.
Antes, devo fazer umas observações (lembrando sempre, não sou especialista em NADA):
Em 2015 eu comecei a segunda mais interessante jornada da minha vida (depois de casamento+ maternidade que ficam juntos): a faculdade.

Que coisa incrível é aprender! Eu sou fascinada pela capacidade que temos de aprender qualquer coisa e tenho convicção de que somos capazes de fazer muito mais do que imaginamos com nosso cérebro. Enfim. Fiz um semestre de Pedagogia e depois embarquei de vez na faculdade com a qual sonhei minha vida toda: Letras.

Como meu curso é uma Licenciatura, uma das coisas que aprendi foi a defender a educação e defender a escola. Outra coisa que aprendi foi criticar a educação e criticar a escola (parece contraditório mas criticar aqui significa refletir sobre os modelos tradicionais, avaliar criteriosamente, e especialmente pensar novas e melhores maneiras de se fazer a educação).

Uma teoria que me deixou muito pensativa foi a chamada PBL- Problem Based Leaning, ou em português, aprendizagem baseada em problemas (aqui um vídeo resumindo o que é).
Esse assunto sempre me toca quando penso sobre como o aprendizado poderia ser mais significativo em escolas de todos os níveis.

Durante a pandemia que estamos passando, me deparei com uma postagem no Facebook que me deixou muito feliz por saber que mais pessoas pensam como eu. Recebi autorização do autor para reproduzir o texto aqui e espero, de coração, que esse relato sirva de inspiração para pais, mães e especialmente para escolas, não apenas nesse período de distanciamento social, mas como uma prática cotidiana na rotina escolar.

O que me deixa esperançosa é ver que o post do André encontrou eco, e ele decidiu criar uma página para compartilhar suas experiencias. O link está aqui, não deixe de visitar:  (https://www.facebook.com/educacaocontagiante)

O "método" utilizado pelo André é chamado "Projeto de Pesquisa" (que corresponde ao PBL, creio eu) , por sinal é utilizado na Escola da Ponte, outra "descoberta" fantástica que encontrei pelas minhas leituras sobre educação (dê um Google pra saber mais)  e pra mim é uma tremenda evidência de que sim, isso pode dar (muito) certo. O texto é extenso, mas vale a pena a leitura, eu  garanto.



" A escola do meu filho falou: ele terá aulas virtuais todos os dias durante o período de isolamento.
Eu e minha esposa somos professores, estamos muito cansados, principalmente porque minha esposa está dando aulas virtuais para grupos de 15 a 20 crianças conectadas por microfone e webcam. Enquanto ela passa a tarde pedindo que os alunos desliguem seus microfones, pedindo silêncio para falar, pedindo para os alunos terem paciência para ela repetir o conceito que está ensinando, eu fico do lado de fora com nossos dois filhos pensando que está tudo errado.
Eu não aguentei isso tudo e decidimos fazer um trabalho diferenciado com nossos filhos. Comecei a trabalhar com Projeto de Pesquisa, coisa que aprendi com meu amigo José Pacheco.
- Mas, André, seus filhos tem 5 e 7 anos! Sua filha nem sabe ler e escrever!
Abri uma conta de email para meu filho e para minha filha. Criamos contas familiares com controle parental usando o Google Family Link. Criamos uma sala de aula no Google Classroom (ótima ferramenta para o estudante criar uma portifólio de pesquisa) e nos inserimos como professores e nossos filhos como alunos.
Criei uma primeira atividade chamada PROJETO DE PESQUISA #1. Montei uma ficha de preenchimento.
Dia 22 de abril
Meu filho entrou no google classroom e começou a preencher a ficha...
O que você quer aprender?
R:Como o Thor ganhou o martelo
[Minha esposa olhou para mim desconfiada.
- André, e aí? Isso vai ser útil de que forma? Super-herói da Marvel!!!!
- Calma... Ele precisa partir de algo que desperte o interesse e a curiosidade dele! Não é o que eu quero ensinar. É o que ele quer aprender agora! Ele vai aprender a aprender. Eu não vou ensinar nada.
Meu filho seguiu preenchendo a ficha (eu estava ao lado dele acompanhando o processo)...]
Por que você quer aprender isso?
R:É que eu sempre quis saber
[Fantástico como a criança é simples, direta, e prática.]
O que você vai fazer com esse conhecimento depois?
R:Nada eu só quero aprender mesmo
[Como este primeiro momento é para ele ter contato com o processo, não fiz nenhuma intervenção neste ponto. Ele quer matar a curiosidade. Ok! Ser curioso é muito bom! Minha esposa me olhava desconfiada e eu não tinha a menor idéia de onde isso acabaria, mas como o José Pacheco diz, o papel do professor é gerir a imprevisibilidade.]
Que pessoas podem te ajudar a aprender sobre isso?
Meu tio-avô.
Por que ela pode te ajudar?
ele sabe muito sobre heróis
[Em seguida ele preencheu um cronograma informando o dia da semana, a hora e a atividade que ele faria. Eram duas atividades: ligar para o tio-avô e assistir ao filme Thor.
Ele enviou uma mensagem via whatsapp para o tio-avô perguntando como o Thor ganhou o martelo. Minutos depois recebeu uma resposta dizendo que o pai do Thor, Odin, deu a ele o martelo Mjolnir. Meu filho foi até a ficha de projeto e preencheu lá onde dizia "Anote aqui tudo o que você aprendeu com essa pesquisa."
Mais tarde, fomos assistir ao filme juntos. Para surpresa dele, Thor já aparece com o martelo Mjolnir nas mãos desde a primeira cena. Meu filho percebeu que não conseguiria a resposta que queria. Assistimos ao filme até o final e conforme o filme passava, eu fazia algumas perguntas para ele e ele fazia algumas perguntas para mim. Nós parávamos o filme, ele sentava na frente do computador e anotava a pergunta no espaço "O que você precisa pesquisar ainda?"
Após o filme, as seguintes perguntas estavam lá:]
Como o Mjolnir foi feito?
De qual língua vem o nome Mjolnir?
Qual herói tem relação com radiação gama?
Quem criou o herói Thor?
Quem eram os vikings?
Que ferramenta a S.H.I.E.L.D. usa para analisar o Mjolnir?
Quais são os Nove Reinos?
[Meu filho foi dormir e eu fui trabalhar como tutor dele. Abri o Google Classroom, peguei o trabalho dele e fui indicando alguns sites para ele encontrar as respostas que buscava. Meu filho não sabe usar o google e não entende ainda como funciona a pesquisa online, por isso eu ainda preciso dar essa ajuda.
Dia 23 de Abril
Meu filho abriu o Google Classroom e eu mostrei a ele o que eu tinha escrito no trabalho dele. Lá foi ele atrás do primeiro site. Abriu e começou a ler. Eu estava na cozinha e vi que ele estava lendo o texto inteiro, mas as informações sobre o Mjolnir estavam no primeiro e segundo parágrafo. Falei para ele:
- Filho, não precisa ler todo o texto. Você pode ler a parte que te interessa para responder sobre sua pergunta.
- Mas eu quero ler tudo, pai! Está interessante!
Após a leitura, perguntei:
- E aí, filho, o que você aprendeu com esse texto?
- Aprendi que o Odin lutou contra o Deus Tempestade e prendeu ele em um metal chamado Uru. Depois ele pegou esse Uru, entregou para o anões e pediu para eles fazerem um martelo. Esse martelo se chama Mjonir. Por isso que o Thor tem poder de trovão, porque o Mjolnir tem um deus das tormentas dentro dele.
- Ok, filho, agora você pode anotar isso ali na sua ficha.
Lá foi ele escrever. Depois que terminou, ele me perguntou:
- Pai, quantos Mjolnir existem?
- Por que você está me perguntando isso?
- Por que eu vi naquele texto uma imagem que mostrava vários heróis usando Mjolnir.
- Por que você não anota essa pergunta na sua ficha para pesquisar depois?
- Boa idéia!
Em seguida ele foi para o segundo site, em busca da origem da palavra Mjolnir. Na wikipedia ele descobriu que Mjolnir se escreve de várias formas diferentes e que o nome significa AQUELE QUE ESMAGA. Também descobriu que o Mjolnir tem relação com a mitologia escandinava.
- Filho o que é mitologia?
- São as lendas, as histórias.
- O que é Escandinávia?
- Não sei.
- Por que você não clica ali onde está escrito "mitologia escandinava" e vê o que vai dar?
Ele clicou e descobriu que a Escandinávia não é um país, mas uma região formada por 3 países: Noruega, Suécia e Dinamarca.
- Mas onde fica isso? - perguntei
- Não sei.
- Vamos olhar o mapa na parede do seu quarto?
- Vamos!
Ele se colocou na frente do mapa e procurou os 3 países. Eu mostrei a ele onde ficava a Europa. Ele os encontrou e ficou contente.
- Mas qual é a língua que eles falam nesses países? - ele perguntou
- Escreve aí no google: idioma dinamarca.
- Dinamarquês! Então o outro deve ser norueguês e suecês, sueci... Suec...
- Digita aí: idioma suécia.
- Sueco!
- Então, filho, o que você aprendeu?
- Mjolnir é uma palavra que pode ser escrita de várias formas. Ele tem a ver com a Escandinávia. Cada país escreve de um jeito: um sueco, um norueguês e um din... din... dinamarquês. Ah, descobri que Mjolnir significa AQUELE QUE ESMAGA.
-Ótimo, filho. Anota lá na sua ficha de pesquisa.
Paramos neste ponto. Incrível ver a criança aprendendo no ritmo dela, na profundidade que ela quer, segundo a curiosidade dela. Assim deveriam ser as escolas. De uma pergunta simples sobre um super-herói ele foi parar na origem de palavras de outro idioma, no entendimento de mitologia, a geografia, história e nem sei onde ele vai parar. Quando ele se der por satisfeito com essa pesquisa, irá parar e faremos uma avaliação de tudo o que ele aprendeu. Depois começaremos uma nova pesquisa.
Não me esqueci da minha filha, não. Ela também está vivenciando a mesma coisa, mas do jeito e ritmo dela. Como ela não sabe escrever, eu fui perguntando a ela o que estava na ficha de pesquisa e ela foi respondendo.
O que você quer aprender?
R: Quero aprender a escrever.
Por que você quer aprender isso?
R: Eu acho legal. Quando uma pessoa pedir para eu escrever, eu posso.
O que você vai fazer com esse conhecimento depois?
R: Quero escrever uma mensagem de amor para o meu amigo P.C.
Nada como ter um objetivo concreto para motivar o aprendizado!
Entrei em contato com um especialista em alfabetização, José Pacheco, e ele me deu uma dica para começar a brincar com minha filha. Perguntei a ela em quais objetos da casa ela queria colocar o nome. Fomos escrevendo cada palavra em papel pequeno e ela foi colando pela casa. No dia seguinte, tirei 3 papéis e pedi para ela colocar de volta. Ela olhou para o primeiro papel, olhou para mim e disse:
- Não sei ler, papai.
- Mas você tem o alfabeto colado ali na parede da sala. Vamos lá olhar?
- SIM!!!
Ela identificou a primeira letra, e colocou o dedinho sobre ela. Eu comecei a cantar A, B, C, D, E, F, G...
Quando paramos na letra, ela fez o som da letra. Depois olhou a segunda letra, juntou as duas, correu e colou o papel no lugar certo. Assim ela já acertou 6 palavras.
Educação é algo lindo demais! Infelizmente ainda existem pessoas que acham que o professor não é importante na educação. Pelo contrario! O professor como orientador ou tutor do aluno é importantíssimo, como ficou claro neste relato, mas não é dando aula. O professor precisa instigar a curiosidade! Precisa fomentar o desejo de aprender.
Contudo, as escolas insistem em deixar os professores sozinhos em sala, com mais de 20 alunos, sem livros ou internet. Como mostrar aos alunos do século XXI como se aprende no modo século XXI? O que resta aos professores é dar aula e mais aula...
O resultado está aí. Os adultos batendo cabeça porque não sabem usar tecnologia, os professores achando que precisam CRIAR CONTEÚDO como se fossem youtubers, gastando tempo e energia, pouca eficiência e baixa autonomia dos alunos.
Tomara que esse vírus imploda a educação do século XIX que ainda existe.
03/05/2020
Este post viralizou e me vi obrigado a criar uma página para continuar compartilhando com vocês outras coisas que me motivam a ser um educador. Recebi mensagens de todo canto do mundo pedindo que eu continue inspirando outras pessoas. Visite a página Educação Contagiante"  (https://www.facebook.com/educacaocontagiante)
Autor: André 

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Alguém ainda usa blog?

    Eu me lembro quando isso aqui começou- essa coisa de blog, para mim.
    Tenho a impressão de que comecei tarde. Quando estreei no mundo dos blogs (não que tenha sido uma grande estreia ou, muito menos uma jornada incrível) o Facebook já existia, e ao longo dos poucos anos em que fui assídua autora e leitora de blogs, vi desaparecer um por um dos meus blogs favoritos (que migraram pra outras redes) até finalmente desistir desse aqui e torná-lo privado- Deus me livre deletar, registrei memórias impagáveis aqui, além de contar com a esperança de um dia a moda voltar, porque é bem comum ver isso acontecer (as pessoas são mesmo saudosistas, apegadas ao passado ou retrogradas, eu não sei bem porque, mas se precisamos lidar com defensores da Terra Plana, por que não voltar com blogs, né mesmo?)
    No fim das contas o blog é uma coisa que me gerou um prazer enorme de poder escrever e compartilhar ideias. Hoje em dia, se ninguém mais quiser compartilhar comigo- afinal, quem é que lê blog, em pleno 2020, afinal? Eu me contentarei com o prazer despretensioso de escrever, e escrever um blog porque, sim, eu sou uma dessas pessoas saudosistas. Não que eu não tenha outros meios para escrever. É claro, estou no Facebook e Instagram igual a todo mundo. E até achei que o Facebook iria começar a desaparecer, mas ao que parece, talvez às custas de grupos, empresas que precisam estar lá e pelo valor comercial que ele possui, ele continua firme, mas não é bem a plataforma certa para mim, ou para quem ama mesmo escrever, não sei.
    Sobre o Instagram, aproveito para registrar aqui minha indignação: limitar o número de palavras que alguém pode escrever em um post deveria ser um crime num mundo onde tanta gente tem tanto a dizer (eu sei que muita coisa pode ser ruim, mas como eu filtro muito bem que eu sigo, tenho a sensação de que há centenas de escritores talentosos tentando usar o Instagram como plataforma para talvez iniciar sua carreira, mas parece que ele nasceu apenas para fotos bonitas e não está interessado em virar rede social de textão, embora um textão muitas vezes valha mais que mil imagens. 
    Não vou falar sobre Twitter. O limite dele é tão estreito que fiquei sem ar só de tentar. Além disso não entendo nada de Twitter. Não entendo quase nada de redes sociais em geral, mas eu não disse que era especialista, né? Desculpe se te decepcionei, mas só estou aqui pra falar das minha impressões (na verdade esse post era só pra contar que eu voltei).
    Enfim, o porquê de o Instagram limitar o número de palavras em uma legenda não me parece justo e me remete ao desespero terrível que sentia ao tentar fazer caber minhas redações da escola no limite que a professora escolhia como razoável. Me pego pensando: se um dia eu for professora eu também terei que ditar o número de linhas pelas quais meus alunos poderão confabular, afinal, corrigir texto é uma tarefa árdua e não temos todo o tempo do mundo- mas uau, que ideia terrível. Soa como tortura ter que limitar o espaço físico destinado à abrigar todas as enormes ideias, sonhos, lamentos e todo o infinito que cabe em nós.
     Mas não importa. Ainda temos os blogs, esses cadernos virtuais preciosos, antiquados, lindos e queridos. que nos dão tanta liberdade. Aqui você pode escrever quantas linhas quiser. Pode alterar a fonte, o plano de fundo. Se quiser dá pra ganhar um dinheirinho com AdSense, e pasmem: pode até compartilhar fotos (segura essa, Instagram).
    E foi por isso que eu voltei. Obrigada por ainda estar aqui, querido blog. Logo logo te conto as novidades.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Mamãe pata

Sou uma mãe pata. Você pode imaginar a mamãe pata e seus patinhos nadando calmamente na lagoa e pensar que isso é super poético, mas não é.
Num desses domingos em que estávamos no sítio onde meus pais vivem, observávamos os patos na represa e meu tio fez a seguinte observação:

"O pato é um animal que nada, voa e anda, mas não faz nada disso direito"





Eu nunca havia escutado essa teoria e ela ficou martelando em minha mente por meses, porque sim, me sinto um pato. Sinto que sou dona de casa, mãe, esposa e estudante (agora estudante bolsista) e sinto que tenho a habilidade de um pato pra fazer tudo isso. Só não me sinto pior porque quando eu era apenas estudante eu não era a melhor da turma, não era uma estudante excepcional mesmo que fosse minha única tarefa. O mesmo aconteceu com as outras atribuições, mesmo que não tenham sido tão isoladas (depois que somos mães é díficil se enquadrar numa única função).

Esse vai ser um texto sem conclusão, perdoem. Apenas precisava dizer que essa vida de pato não tá fácil, e se você tem dicas eu não dispenso nenhuma, já que com a correria a terapia foi adiada por tempo indeterminado.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O blog agora é canal!



Depois de muita insistência da parte das meninas, especialmente da Renatinha, decidi postar vídeos no YouTube.
Na verdade, o canal já existia e já haviam alguns vídeos, mas só agora decidi dar um pouco mais de atenção à ele e gravar vídeos especificos para serem postados. Apesar de ainda preferir escrever, me parece que vídeos agora são mais práticos para quem acompanha.
Minha intenção é fugir um pouco do que é "tradicional" no YouTube, como comprinhas, tutoriais, brinquedos, jogos, etc... Não quero que tome um rumo consumista, provavelmente teremos mais vídeos de leitura e música, que são coisas que amamos, mas também tem muito da participação delas então vamos ver onde isso vai dar! Espero vocês por lá!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ser mãe é

Ser mãe é ser
o braço que embala
o peito que sacia
a mão que acaricia
o beijo que sara
a alma inquieta
a solidão
ser mãe é ser colo
e sermão
e a dor que não cura
do coração aflito
que bate só pelo filho
é amar tanto
que não se sabe o quanto
é ser você ou ser eu
e perder-se
sem saber ao certo
se é uma pessoa só
ou se é toda mãe
ou se é todo filho
ou se é toda a gente
que sofre e chora
um dia por ser mãe
outro por não ter mãe
ou por não ter filho
mesmo sendo sempre mãe
(pra sempre e desde sempre)
Ser mãe é ser feliz
por apenas ter fé
Que um dia tudo se ajeita
Feliz por qualquer coisa
Que faça seu filho rir
Feliz por ser mãe
e por poder partir
Mas deixar um legado aqui
Em cada lição ensinada
Com palavras, com exemplos
Com carinho, com sacrifício
É conhecer toda dor e prazer
Ser mãe é sorrir e chorar
Mas acima de qualquer coisa
Ser mãe é amar, amar e amar

Alyne Ribeiro Souza Afonso


terça-feira, 19 de abril de 2016

Ser mãe de 3...

Ser mãe de 3 crianças é uma coisa difícil e cansativa. E não falo do trabalho físico que dá- fazer um monte de comida, lavar um monte de roupa, arrumar 3 camas todo dia, nem do dinheiro que se despende para qualquer coisa que se faça ou compre (tudo multiplicado por 3).
Falo sobre tentar lidar com os ciúmes, sobre dividir a atenção, sobre a tentativa quase sempre frustrada de tratar igual, ou de ser justa, de tentar entender as diferenças e as necessidades de cada uma. Enfim. É um trabalho duro. E não julguem a mim ou qualquer outra mãe que ousa confessar que em alguns momentos nos questionamos onde estávamos com a cabeça quando decidimos tem mais um. Isso acontece.
Mas também existem momentos como esse (Renata ajudando Rafaela na lição, sem que eu pedisse) ou como ontem que uma leu pra outra dormir, ou quando a Renata teve dor no ouvido e a Rafaela me ajudou a cuidar dela com todo amor. Ou quando a Ana as defende ou ensina algo que elas não sabem. Quando simplesmente uma leva a toalha pra outra no banho.
O primeiro momento assim, depois que tive a terceira foi quando ela, Rafaela, havia acabado de chegar em casa da maternidade e uma das meninas (não consigo me lembrar qual delas, Ana tinha 4 e Renata 2 anos e meio) nos chamou e disse que o bebê estava "vazando": Rafaela teve refluxo, e podia ter se engasgado sozinha no berço, se não fosse a atenção de uma irmã mais velha.
Daí penso que elas nunca estarão só. Que vão se ajudar e estar prontas uma para a outra, quando eu já não puder estar. E aí vale a pena o desgaste todo, a canseira...e meu coração fica cheio, e feliz por ter 3 (e se não fosse a laqueadura seriam 4...)




segunda-feira, 14 de março de 2016

Uns ouvidos

Tem gente que anda por aí. Tem quem corra,voe, tem quem se arraste. Tem gente que anda triste. Cansado, deprimido, irritado.

E me pergunto do que precisamos. Seria de mais tempo, de mais dinheiro, de mais lazer? Será que precisamos de mais cinema, de mais férias, de mais academia, de um emprego melhor? Mais música, mais móveis, mais roupas, mais sexo, mais livros, mais brigadeiro?

Nessas andanças, que ora corremos, ora paramos de vez e acabamos passando mais tempo preocupados do que felizes, o que é que falta, afinal?

Eu falo por mim. Preciso só de uns ouvidos.

Não é de um ouvido só porque possuímos dois, e eu quero, e preciso dos dois- de atenção total por alguns minutos. E ao olhar ao meu redor, eu creio que também é isso que uma boa parte das pessoas querem. E precisam. Uns ouvidos. Pra escutar lamurias, anedotas, lembranças, saudades, tristezas, alegrias. Tragédias cômicas pelas quais todos passamos, Pra escutar nossos defeitos, nossas mágoas, nossos pesares, arrependimentos, sucessos, lutas, o que for.

Só escutar. Não precisa de palpite, de opinião, de ponderações sensatas, não precisa tentar ajudar. A gente quase nunca sabe. Se você tiver um par de ouvidos, e uns minutinhos nos quais você possa se esquecer quão perfeito e sábio você é, e então se deixar calar e apenas ouvir... O mundo vai ser melhor.
Eu quero, e preciso, de uns ouvidos, que não os meus, pra me ouvir em silencio e nesse silencio dizer tudo o que preciso ouvir: _Eu estou aqui, e estou te ouvindo.

Mas eu também preciso dos meus ouvidos, e preciso educá-los para melhor servirem. Eles precisam muito trabalhar mais do que minha boca, e até mais que meu cérebro. Preciso dar a eles trabalho, preciso parar e escutar um amigo, um parente, um desconhecido me contar das coisas que ele já viu, já ouviu, já passou. Quero ouvir das batalhas de alguém que criou dez filhos, ou que nunca teve um. Quero ouvir um senhor que foi pra guerra, seja guerra o que for. Quero ouvir umas crianças, e minhas crianças, e outras que não conheço, a imaginarem um mundo que não é esse. Quero escutar as pessoas que passam por mim, mesmo que tudo o que elas tenham seja apenas queixas e mais queixas, e quero o fazer sem pensar num sermão, numa lição, numa experiencia própria que nunca é igual a de ninguém. Nunca. E me lembrar que se isso eu fizer posso me tornar mais sábia, mais inteligente. Ou não. Pode ser apenas uns minutos perdidos entre tantos minutos que perdemos por aí. Acontece que no fim, o ouvir, ainda que uns ouvidos sejam essenciais, não é um ato que favoreça, ou que deva favorecer o ouvinte. É apenas pra ser útil ao falante. Que precisa só de uns ouvidos, nada mais.







 Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
Tiago 1:19



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